sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

FILIPE V (221 - 179 a.C.) - PARTE III

Até ao final de 205 a.C., Rodes foi significativamente enfraquecida por esses ataques, e Filipe viu a sua chance de ir adiante com a segunda parte de seu plano: um confronto militar direto. Ele convenceu as cidades de Hierapitna e Olous e outras cidades do leste de Creta a declarar guerra contra Rodes cuja resposta inicial foi pedir a República Romana que os ajudasse contra Filipe. Os romanos, no entanto, tinham receio de se envolverem em outra guerra já que ainda enfrentavam Cartago na Segunda Guerra Púnica (218 -202 a.C.) . O Senado romano não conseguiu persuadir os romanos a entrarem na guerra, mesmo depois de Pérgamo, Cízico e Bizâncio se juntarem à guerra ao lado Rodes.
Moeda de Filipe V com a efígie do herói grego Perseu
Filipe provocou mais ainda a Rodes pela captura e arrasamento das cidades de Cio e Mirleia, cidades gregas na costa do Mar de Mármara. Filipe entregou então essas cidades para o seu cunhado Prusias I, rei da Bitínia, que as reconstruiu e renomeou como Prusa e Apameia. Em troca destas cidades Prusias prometeu que iria continuar expandindo seu reino tomando os territórios de Pérgamo, com cujo reino Prusas havia terminado uma guerra recentemente. Porém, a apreensão dessas cidades também enfureceu os novos aliados de Filipe, os etólios, já que ambas eram membros da Liga Etólia. A aliança entre a Etólia e a Macedônia era praticamente firmada pelo medo que os etólios tinham de Filipe, e este incidente agravou a já tênue relação. Filipe, no entanto, não arrefeceu, e em seguida atacou e conquistou as cidades de Lisimáquia e Calcedônia, que também eram membros da Liga Etólia , forçando os etólios a romper sua aliança com a Macedônia.
Moeda com as efígies de Filipe V e da deusa Atena
No caminho para casa, a frota de Filipe parou na ilha de Tasos ao largo da costa da Trácia. Metrodoro, general de Filipe, foi a capital homônima da ilha para encontrar os emissários da cidade. Os embaixadores disseram que iriam entregar a cidade para os macedônios sobre as condições de que eles não tivessem que estar sob uma guarnição militar, que não tivessem que pagar tributo ou contribuir com soldados para o exército macedônico e que eles continuassem a usar as suas próprias leis. Metrodoro respondeu que o rei aceitava as condições e os tasianos abriram suas portas para os macedônios. Uma vez dentro dos muros, no entanto, Filipe ordenou a seus soldados a escravizar a todos os cidadãos, que foram depois vendidos para longe, e permitiu que saqueassem a cidade.

Aliança com o Império Selêucida
Filipe concluiu um tratado com Antíoco III, o Grande, rei do Império Selêucida, esperando dividir as terras sob domínio egípcio do jovem faraó Ptolomeu V. Filipe concordou em ajudar Antíoco conquistar o Egito e Chipre, enquanto Antíoco prometeu ajudar Filipe assumir o controle de Cirene, das Cíclades e da Jônia. Com este tratado, o exército de Filipe atacou os territórios de Ptolomeu na Trácia. Em seguida, a frota macedônica dirigiu-se para o sul e tomou a ilha de Samos, que estava sob domínio de Ptolomeu V, capturando a frota egípcia ali estacionada. A frota, em seguida, virou-se para o norte e cercou a ilha de Quios. Filipe estava planejando usar as ilhas do norte do mar Egeu como trampolins para chegar a Rodes. O cerco não estava indo bem para Filipe, pois as frotas combinadas de Pérgamo, Rodes e seus novos aliados, Cízico e Bizâncio, bloquearam com sucesso a sua frota. Filipe, não vendo outra opção, decidiu arriscar uma batalha contra os aliados.
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Antíoco III Megas e Ptolomeu V Epífanes

A Batalha de Quios (201 a.C.)
A frota macedônica (cerca de 200 navios) superava a dos aliados em duas embarcações contra uma. A batalha começou com Átalo de Pérgamo avançando contra a ala direita da Macedônia, ao passo que os demais aliados atacaram o flanco esquerdo sob comando do almirante Teofilisco de Rodes: a nave-insígnia de Filipe foi tomada, seu almirante, Demócrates, foi morto. Mesmo ferido gravemente, Teofilisco conseguiu derrotar os soldados macedônicos que tentavam abordar sua embarcação. No flanco comandado por Átalo, um de seus navios foi afundado pelo inimigo, que se aproximava dele. Ele navegou para resgatar dois quadrirremes e seu navio-insígnia. Filipe, no entanto, cujo navio ainda não tinha sido envolvido no combate, rumou para atacar Átalo. Esse, vendo Filipe se aproximando, fugiu apavorado e foi obrigado a encalhar seus navios. Após o desembarque, ele espalhou várias moedas, vestimentas em púrpura e outros artigos esplêndidos sobre o convés do seu barco e fugiu para a cidade de Eritreia. Quando os macedônios chegaram na praia, eles se detiveram para recolher o espólio deixado pelo rei de Pérgamo.
Ilustração de uma batalha naval na Antiguidade
 Filipe, pensando que Átalo perecera na perseguição, começou a rebocar a nave-insígnia pergamena. Porém, o restante da frota aliada conseguiu derrotar a frota macedônica que teve que se retirar. A batalha de Quíos foi uma das mais custosas para Filipe, com 92 navios destruídos e 7 capturados além das pesadas baixas entre seus homens. A derrota da Macedônia enfraqueceu efetivamente sua frota e salvou as ilhas do mar Egeu de mais uma invasão de grande porte. Porém, após a batalha, quando os rodianos deixavam Quíos, o almirante Teofilisco morreu devido aos ferimentos em combate e Cleoneu assumiu o seu lugar. Quando a frota de Rodes estava velejando no estreito entre Lade e Mileto na costa da Ásia Menor, a frota de Filipe deu sua última investida e obrigou a frota rodiana a recuar para Rodes. Os habitantes de Mileto ficaram tão impressionados com essa pequena vitória macedônica que enviaram a Filipe e a Heracleides, um dos seus conselheiros, as guirlandas da vitória quando entraram no território de Mileto.


A Campanha de Filipe na Ásia Menor
Estando na Ásia Menor, Filipe investe contra o reino de Pérgamo, governado pelo rei Átalo I Sóter que já lutara contra o rei macedônico na primeira guerra romano-macedônica. Antes de partir para a batalha de Quios, Átalo tinha reforçado as muralhas da cidade de sua capital contra uma possível agressão. Quando Filipe chegou à cidade com o seu exército, verificou que Pérgamo estava muito bem defendida e fez pequenas investidas como destruir alguns templos, incluindo o templo de Afrodite e o santuário de Atena Nicéfora. Depois, os macedônios investiram contra as cidades de Tiatira e Tebe, mas o saque foi menos frutífero do que o previsto. Em Tebe, Filipe exigiu mantimento do governador selêucida da região, Zeuxis, de acordo com a aliança entre a Macedônia e o reino selêucida de Antíoco III. Mas Zeuxis não lhe forneceu toda a ajuda necessária, provavelmente, temendo as conseqüências da beligerância de Filipe na Ásia.
O reino de Pérgamo e reinos adjacentes
O rei macedônio, decepcionado com os despojos da região da Mísia, prosseguiu para o sul e saqueou as cidades da Cária. Ele investiu contra Prinasso, que a princípio resistiu bravamente no inicio, mas quando Filipe montou sua artilharia e enviou um emissário à cidade com a proposta de que ou os habitantes da cidade a deixassem sem ferimentos ou todos seriam mortos. Os cidadãos decidiram abandonar a cidade. Nesta fase da campanha, o exército de Filipe foi ficando sem comida e então ele tomou a cidade de Miunte e deu-a aos magnésios em troca de suprimentos. Visto que os magnésios não tinham grãos, Filipe aceitou figos para alimentar todo o seu exército. Continuando sua marcha bélica, Filipe conquistou as cidades de Iaso, Bargília, Euromo e Pedasa e ainda cercou e capturou a cidade de Peréia, que estava sob o controle de Rodes.
Ruínas de Bargília
Enquanto a frota de Filipe invernava em Bargília, as frotas pergamena e rodiana bloquearam o porto da cidade. A situação dos macedônios tornou-se tão grave que eles estavam a ponto de se render. Filipe, no entanto, enviou um desertor egípcio a Átalo e aos rodianos para dizer que ele estava se preparando para atacar os aliados no dia seguinte. Ao ouvir a notícia, Átalo e os homens de Rodes começaram a preparar a frota para o ataque vindouro. Enquanto os aliados faziam seus preparativos, Filipe escapou durante a noite com sua frota, deixando inúmeras fogueiras queimando para dar a aparência que ele permanecia em seu acampamento.

Ataque a Atenas
Enquanto Filipe empreendia esta campanha, seus aliados da Acarnânia se envolveram em uma guerra contra Atenas após os atenienses assassinaram dois atletas acarnanianos. Os acarnanianos se queixaram ao rei macedônico sobre este incidente e Filipe V enviou uma força sob o comando de seu general Nicanor, o Elefante, para auxiliá-los em seu ataque à Ática. Os macedônios e dos seus aliados saquearam a Ática antes de atacar Atenas. Os invasores chegaram até a Academia de Atenas, quando os embaixadores romanos na cidade exortaram aos macedônios que recuassem ou enfrentariam uma guerra com Roma. Frota de Filipe tinha acabado de escapar do bloqueio conjunto de Pérgamo e Rodes, quando o rei ordenou que a frota se dirigisse para Atenas.O esquadrão macedônico navegou para o porto ateniense em Pireu e capturou quatro navios atenienses. Quando da retirada da frota macedônica, a frota de Rodes e Pérgamo, acabaram por seguir os navios Filipe através do mar Egeu e por fim alcançaram a base aliada em Egina a partir de onde atacaram os macedônios. Os aliados derrotaram a frota macedônica e retomaram os navios atenienses devolvendo-os a Atenas.
Moeda cunhada sob o governo de Filipe V
Os atenienses ficaram tão satisfeitos com o resgate que substituíram as recentemente abolidas tribos Demetríade e Antigônide, tribos pró-Macedônia, pela tribo Atálida em honra de Átalo. Tribo aqui são as philai, divisões administrativas ou distritos da antiga Ática. Átalo e os rodianos convenceram a assembleia ateniense a declarar guerra aos macedônios. A frota pergamena viajou de volta para sua base em Egina e a de Rodes partiu para conquistar todas as ilhas sob controle da Macedônia no percurso de Egina a Rodes. Os rodianos lograram êxito, exceto quanto às ilhas de Andros, Paros e Citnos. Filipe ordenou que seu prefeito na ilha de Eubea, Filoces, atacasse Atenas mais uma vez com 2.000 homens de infantaria e 200 cavaleiros. Filoces não conseguiu capturar Atenas, mas devastou a zona rural circundante.

REFERÊNCIAS:
http://es.wikipedia.org/wiki/Guerra_cretense
http://en.wikipedia.org/wiki/Cretan_War
http://peoplesparliment.com/files/resized/213244/cropped/49;0;275;131;497;175;6a39b077edac97eeef2db4a142bed425e3c23e20.jpg

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

FILIPE V (221 - 179 a.C.) - PARTE II

Batalhas na Grécia
A frota romana unida à de Pérgamo controlava os mares, e Macedônia e os seus aliados eram bloqueados por terra pelo restante dos integrantes da coligação antimacedônica. A estratégia romana de semear a discórdia entre os gregos na própria Grécia e impedir que os macedônios passassem para Itália ou Ilíria estava dando resultado. Quando Levino voltou a Roma para tomar posse do seu consulado, pôde informar sem temor ao Senado de que a legião deixada para fazer frente a Filipe estava completamente segura. Contudo, os demais componentes da coligação antimacedônica permaneceram num estado de passividade durante 210 , tempo que Filipe aproveitou para continuar realizando incursões. Após intensos trabalhos de sítio, Filipe tomou Equino, defendida pelo estratego Dorimaco e a frota romana, comandada agora por Públio Sulpício Galba Máximo. 
Filipe V
Trasladando-se para oeste, Filipe tomou Falara e a cidade portuária de Lámia. Galba Máximo tomou Egina, uma ilha do Golfo de Salônica, que os etólios venderam ao rei de Pérgamo por trinta talentos e que se usou como base principal de operações contra Macedônia no Mar Egeu. Na primavera de 209 a.C., Filipe recebeu petições de ajuda dos seus aliados da Liga Aqueia do Peloponeso que estavam sendo atacados por Esparta e os seus aliados da Liga Etólia. Também recebeu notícias da nomeação do rei Átalo I de Pérgamo como um dos líderes da Liga Etólia e de que intentava cruzar o Mar Egeu para a Ásia Menor. Filipe marchou para sul da Grécia. Em Lámia enfrentou-se ao outro líder da Liga Etólia, o estratego Fírrias, que era apoiado por tropas auxiliares romanas e as de Pérgamo. Filipe venceu em duas batalhas ao seu inimigo em Lámia e obrigou-o a retirar-se ao interior das muralhas após ter infligido graves perdas às tropas de Fírrias.

Negociações de "Paz"
De Lámia, Filipe dirigiu-se para Falara. Ali se reuniu com os representantes dos Estados neutros do conflito: Egito, Rodes, Atenas e Quíos. Estes países visavam acabar com a guerra, pois esta afetava seriamente as atividades econômicas mais importantes destes países. Foram feitas negociações entre o líder etólio Aminador e Filipe que assinaram uma trégua de 30 dias. Porém, Filipe marchou para bloquear o possível desembarque de Átalo I e depois voltou de novo, para reunir-se com os etólios. A conferência foi interrompida pela chegada de notícias de que Átalo conseguira desembarcar em Egina e que a frota romana estava em Naupacto. Os representantes etólios exigiram que Filipe cedesse Pilos a Messênia, Atintânia aos romanos e os territórios dos ilírios ardieus para os chefes ilírios Pleuratos e Escerdilaidas. Filipe retirou-se indignado da conferência, alegando que embora ele buscasse verdadeiramente a paz, os etólios apenas buscavam um pretexto para recrudescer a guerra.
Moeda com a efígie de Filipe V

A Guerra Continua
A partir de Naupacto, Galba Máximo navegou em direção a Corinto e Sicião (cidades da Liga Aqueia, aliadas de Filipe), e dirigiu rápidas incursões por essa zona. Filipe com a sua cavalaria surpreendeu os romanos e os fez fugir para as suas próprias embarcações com as quais retiraram-se para Naupacto. Após isso, Filipe uniu-se perto da cidade de Dime ao general da Acaia, Ciclíadas, para atacarem em conjunto à cidade de Elis, a base da Liga Etólia contra a Acaia. Contudo, Galba Máximo já navegara para Cilene e reforçou a cidade com 4000 legionários romanos antes do assédio. Filipe dirigiu o ataque da cavalaria contra o inimigo, mas foi abatido do seu cavalo e, após uma encarniçada batalha na qual os macedônios foram derrotados, conseguiu escapar. Após esta derrota, Filipe capturou a cidadela de Fírico, tomando 4.000 prisioneiros e 20.000 animais. Quando teve notícias de novas incursões na Ilíria, Filipe abandonou a Etólia e voltou para a cidade de Demétrias, na Tessália, uma das principais de seu reino.
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Templo de Zeus em Elis
Entrementes, Galba Máximo navegara pelo Egeu e se unira ao seu aliado Átalo I de Pérgamo em Egina para passar o inverno. Em 208 a.C., Átalo e Galba Máximo combinaram a sua frota, composta por 25 barcos de Roma e 35 de Pérgamo, e tentaram sem sucesso tomar Lemnos, mas conseguiram ocupar a ilha próxima de Parapetos (Skolas), que estava sob posse macedônica. Após o seu sucesso, Átalo e Galba Máximo reuniram-se em Heracleia de Traquínia com os líderes da Liga Etólia. Da reunião participaram representantes do Egito e da ilha de Rodes, que continuavam tentado conseguir o fim do conflito. Quando Filipe teve notícias da conferência, marchou depressa para sul onde tentou capturar os líderes inimigos, mas chegou tarde demais.
Moeda de Filipe V com a imagem de Hércules
Rodeado pelos seus inimigos, Filipe foi obrigado a adotar uma nova política defensiva. Distribuiu os seus comandantes e líderes militares por todo o território macedônico e estabeleceu um sistema de fogueiras por todas as cidades importantes para informarem dos movimentos dos inimigos. Após abandonar Heracleia de Traquínia, Átalo e Galba Máximo saquearam Oreus, ao norte de Eubeia e Opunte, a cidade principal do leste da Lócrida. As riquezas de Oreus foram para Galba Máximo, enquanto as de Opunte foram para Átalo. Contudo, com as forças divididas, pois Galba Máximo fora embora para iniciar a confiscação dos bens da sua cidade, Filipe, avisado pelo sistema de sinais de fogo, atacou e tomou Opunte. Átalo, surpreendido pelo ataque inesperado, apenas pôde escapar para seus navios.
Moeda com imagens de Filipe V e da deusa Atena

O Avanço de Filipe V
Não obstante não ter conseguido capturar Átalo, Filipe notou que a guerra estava outra vez mudando de lado. Átalo foi obrigado a voltar para Pérgamo onde teve que se posicionar contra o rei da Bitínia, Prúsias I, que tinha laços de parentesco com Filipe, e estava se mobilizando contra Pérgamo. Enquanto isso, Galba Máximo voltou para Egina. Livre da pressão das frotas combinadas de Roma e de Pérgamo, Filipe pôde retomar a ofensiva contra os etólios. Capturou as cidades de Trônio, Titrônio e Drimeia, a norte de Cépsio, bem como também retomou o controle de Oreus. Os Estados comerciantes neutros no conflito continuaram a impulsionar um tratado de paz. Filipe reuniu-se duas vezes com os embaixadores de Rodes e do Egito, mas sem sucesso. 
Moeda de Filipe V
Os representantes de Rodes, Egito, Bizâncio, Quíos, Mitilene e, talvez, Atenas, se reuniram com os líderes etólios. A guerra estava-se inclinando cada vez mais para o lado de Filipe, porém os etólios não estavam dispostos a assinar um acordo de paz com as imposições abusivas do monarca macedônio. Contudo, após três meses mais de conflito, os etólios viram-se obrigados a assinar uma paz desfavorável sem o consentimento de Roma com o fim de conservar o seu território (207 a.C.). Aliás, os romanos começavam a desviar sua atenção dos etólios para se concentrarem na ameaça vinda de Cartago e Pérgamo dava atenção à ameaça vinda da Bitínia.
Prusias I da Bitínia
Porém, Roma não deixaria o rei macedônio despreocupado, já que Filipe não visava o somente o domínio da Grécia; sua intenção de invadir a Itália é que iniciara o conflito. Na primavera seguinte os romanos enviaram Públio Semprônio Tuditano com 35 barcos e 11.000 homens a Dirraquio na Ilíria, onde incitou a tribo dos partinos contra Filipe e pôs cerco a Dimale. Contudo, quando chegou Filipe, Semprônio levantou o assédio e refugiou-se sob as muralhas de Apolônia. Semprônio tentou sem sucesso que os etólios voltassem a entrar na guerra contra Filipe, mas estes, cansados de batalhar, negaram-se. Sem mais aliados na Grécia, o Senado estava preparado para assinar a paz desde de que Filipe não apoiasse Aníbal na guerra contra Roma.

A Paz de Fênice
Um tratado foi assinado em Fênice no Épiro em 205 a.C. entre Roma e seus aliados e Filipe V e seus aliados. O tratado reconheceu formalmente a posição vantajosa da Macedônia, incluindo seu domínio sobre partes da Ilíria, mas Filipe teve que repudiar a sua aliança com Aníbal. As condições do tratado permitiram que Roma controlasse os ilírios partinos bem como as localidades de Dimalo, Bargulo e Eugênio, enquanto a Macedônia, com a aprovação do Senado Romano, iria controlar Atintânia. Entre os outros envolvidos no tratado estavam Prusias I da Bitínia, os aqueus, a Beócia, a Tessália, o acarnanianos e os epirotas (do lado de Filipe) e algumas tribos dos ilírios, Átalo I de Pérgamo, Pleuratos II dos ardieus, Nabis de Esparta, a cidade de Elis, o messênios e os atenienses (do lado de Roma). O tratado também estipulou que Filipe V não podia expandir-se para o Ocidente, Ilíria e mar Adriático. Esse tratado de paz é conhecido como a "Paz de Fenice" e finalizou oficialmente a Primeira Guerra Macedônica, um conflito armado que durara nove anos.
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Ruínas de Fênice

A Guerra Cretense (205 - 200 a.C.)
Apesar do fim da guerra, os instintos belicosos de Filipe V não arrefeceram. Pelo tratado de Fênice, os macedônios não podiam se expandir para o ocidente e uma intervenção no Oriente poderia alarmar novamente a República Romana. Porém, Roma estava ocupada com Cartago e Filipe esperava tirar proveito disso para assumir o controle do mundo grego, especialmente do Mar Egeu que era dominado militar e economicamente pela ilha-Estado de Rodes, que, formalmente, era aliada da Macedônia e de Roma. Suas ambições poderiam lograr êxito através de uma aliança com Creta, vez que já havia feito as pazes com os etólios e Pérgamo não teria condições de enfrentá-lo, pois preocupava-se com a expansão do vizinho reino  da Bitínia. Além de começar a construir uma grande frota, Filipe considerou duas maneiras de abalar o domínio de Rodes sobre o mar: a pirataria e a guerra. Decidido a usar os dois métodos, ele encorajou seus aliados para começar a ataques piratas contra os navios de Rodes. Filipe convenceu os cretenses, que tinham sido envolvidos em pirataria por um longo tempo, os etólios e os espartanos a participar na pirataria. A atração para esses povos era a promessa de grande enriquecimento com a captura dos navios de Rodes. Ele enviou o pirata etólio Dicearco em uma grande razia através do Mar Egeu no decurso da qual ele saqueou as ilhas Cíclades e territórios de Rodes.
A cidade de Rodes antes de 226 a.C. quando um
terremoto demoliu o seu famoso colosso.

REFERÊNCIAS:
http://www.livius.org/phi-php/Filipe/Filipe_v.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Guerra_Maced%C3%B4nica#Primeira_Guerra_Maced.C3.B4nica
http://en.wikipedia.org/wiki/First_Macedonian_War
http://en.wikipedia.org/wiki/Treaty_of_Phoenice
http://es.wikipedia.org/wiki/Guerra_cretense
http://en.wikipedia.org/wiki/Cretan_War

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

FILIPE V (221 - 179 a.C.) - PARTE I

Filipe V (238 - 179 a.C.) foi rei da Macedônia de 221 a 179 a.C. Seu reinado foi marcado principalmente por uma luta infrutífera com o poder emergente de Roma. Sendo um homem jovem, Filipe era atraente e carismático. Sendo um guerreiro arrojado e corajoso, ele foi inevitavelmente comparado a Alexandre, o Grande, e foi apelidado de o ἐρώμενος ἐγένετο τῶν Ἑλλήνων: “O amado de toda a Grécia.”
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Filipe V da Macedônia
Filipe era filho do rei macedônio Demétrio II Etólico com Ftia, filha do rei Alexandre II do Épiro. Filipe tinha cerca de nove anos quando da morte de seu pai em 229 a.C. Ele tinha uma irmã mais velha chamada Apame (III) do primeiro matrimônio de seu pai. Sendo criança, seu primo Antígono III Dóson, administrou o reino como regente até 227 e daí em diante governou como rei da Macedônia a pedido de seus conterrâneos. Mas Antígono não usou de manobras para suprimir o príncipe-herdeiro e mesmo sendo rei tinha consciência de ser guardião do trono como indicam as fontes históricas, mesmo agindo como rei de fato. Quando Antígono morreu em 221 combatendo e vencendo os ilírios, Filipe tinha 17 anos de idade e um novo regente lhe foi designado: Apeles. De sua primeira esposa de nome desconhecido teve três filhos: uma filha de nome desconhecido que se casou com o rei trácio Teres III, Apame, que se casou com o rei da Bitínia Prúsias II, e Demétrio, o Jovem. De sua segunda esposa, Policrácia de Argos, Filipe teve Perseu, que o sucedeu no trono.
Inscrição proveniente de Cassandreia que menciona "o rei Filipe,
filho do rei Demétrio", Museu de Tessalônica, Grécia

A Guerra dos Aliados (220 – 217 a.C.)
Em sua ascensão ao trono, Filipe rapidamente mostrou que, embora sendo jovem, isso não significava que fosse fraco. Tomou as rédeas do governo em suas próprias mãos, mas Apeles foi conservado na corte como um conselheiro. No primeiro ano de seu governo, ele refreou o ataque dos dardânios e outras tribos do norte do país. Porém, alguns Estados gregos viram em sua juventude e inexperiência a oportunidade de se expandirem em detrimento da Macedônia e da Liga Aqueia. Assim, os etólios vão realizar várias operações militares na Fócida e na Beócia. Filipe reúne os membros da Liga Grega (fundada por seu antecessor o rei Antígono III Dóson,) em Corinto onde decidem declarar guerra contra a Liga Etólia (220 a.C.). É o início da Guerra dos Aliados (também conhecida como Guerra Social) onde as confederações gregas voltaram a se enfrentar. Durante o conflito Filipe demonstrou seu talento como estrategista e tirou proveito da guerra. 
Fócida
Ele foi capaz selar sua autoridade entre os seus próprios ministros e sua liderança durante a Guerra Social, o que o tornou conhecido e respeitado tanto dentro de seu próprio reino como no exterior. Mas ainda durante a guerra, Filipe cometeu sacrilégio no santuário de Thermos, o que foi considerado o primeiro sinal, de acordo com o historiador Políbio, dos problemas de saúde mental do rei macedônio. Após cerca de três anos de conflito, Agelau, um dos líderes dos etólios, consegue através de um persuasivo discurso convencer Filipe e seus aliados a fazer as pazes com a Liga Etólia: o acordo é selado na cidade de Naupacto na Etólia e põe fim a Guerra dos Aliados (217 a.C.). Segundo o historiador Jona Lendering, Filipe assina a paz, pois desvia suas ambições para o oeste onde os romanos sofrem derrotas para os cartagineses. No mesmo ano, Apeles, conselheiro e ex-regente de Filipe, foi executado por conspirar contra Arato de Sicião, que fora inimigo da Macedônia, mas agora era aliado de Filipe.

A Ilíria
Depois da Paz de Naupacto em 217 a.C., Filipe V tenta substituir influência romana pela macedônica ao longo da costa oriental do mar Adriático formando alianças ou emprestando seu protetorado a certas ilhas e províncias costeiras, como a cidade de Lato na ilha de Creta. Ao término da Primeira Guerra Ilírica (229-228 a.C.), os romanos deram a Demétrio de Faro o governo de uma ampla região na Ilíria. Porém, Demétrio violou o acordo com os romanos e os enfrentou na Segunda Guerra Ilírica(220 – 219 a.C.). O comandante romano Lúcio Emílio Paulo venceu a Demétrio que fugiu para a corte de Filipe V a fim de salvar a sua própria vida.
As Guerras Ilíricas
Quando da vitória dos cartagineses sobre os romanos no Lago Trasimeno (217 a.C.), Demétrio aconselhou Filipe a expandir seu domínio para a Ilíria e Itália aproveitando a fraqueza de Roma e a construir um novo império macedônico. Em 216, o rei macedônio inicia sua campanha na Ilíria. Inicia-se o conflito com a República de Roma que pretendia exercer seu protetorado na região, mas que estava em conflito com Cartago. Filipe construiu uma frota de cem navios militares e treinou um exército de homens ao seu comando (217 a.C.—216 a.C.). O entusiasmo com o que rei se entregou a esta tarefa não tinha precedentes entre os seus antecessores, mas a Macedônia não dispunha de recursos suficientes para construir e manter uma frota necessária para enfrentar a frota romana. O rei expandiu os seus territórios para oeste através dos vales dos rios Apso e Genuso, chegando às beiras da Ilíria. O plano de Filipe era tomar as costas da Ilíria conquistando a área entre estas costas e a Macedônia usando o novo território conquistado como uma base para a invasão da Itália.
Ilha de Sazan
Em princípios do verão, Filipe e a sua frota partiram da Macedônia. Porém, quando a frota macedônica estava fundeada na ilha de Sazan, Filipe foi informado do avistamento de quinquerremes em Apolônia da Ilíria. Convencido de que a frota romana rumava para ali a fim de capturá-lo, ordenou a retirada imediata para Cefalônia. Políbio descreveu a fuga da frota macedônica como "um exemplo de pânico e desordem". Apesar disso, os romanos apenas enviaram dez naves com o fim de fazer face ao que consideravam um "alarme injustificado". Filipe deixara escapar uma boa oportunidade de tomar Ilíria e teve de regressar para Macedônia; embora não perdesse nenhuma nave, voltou ao seu reino com uma considerável desonra.
Quinquerreme romano


Aliança com Cartago
Cartago era uma antiga colônia fenícia na costa da África (atual Tunísia) que construiu um império comercial ao longo da costa do mar Mediterrâneo ocidental. Sua expansão levou a um confronto com a República Romana que também objetivava dominar a mesma área. Desde 264 a.C., romanos e cartagineses (chamados também de púnicos) se enfrentavam e Cartago acabou por levar a guerra à própria Itália na pessoa de seu célebre general Aníbal Barca. Quando Filipe soube da esmagadora vitória de Aníbal sobre os romanos na Batalha de Canas (216 a.C.), o monarca enviou mensageiros ao acampamento de Aníbal na Itália com uma proposta de aliança. 
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O Mediterrâneo em 218 a.C.
Concluiu-se no verão de 215 a.C. um tratado de amizade onde as partes se comprometiam em apoio militar mútuo contra os inimigos (exceto se fossem aliados do outro). Especificamente prometia-se apoio mútuo na guerra contra Roma e se Aníbal assinasse paz com Roma que não devia incluir Filipe, mas Roma devia ser forçada a ceder Corfu, Apolônia, Epidanmo, Faros, Dimale, Partínia e Atintânia e Demétrio devia ser restaurado no trono de Faros. Ao seu regresso à Macedônia, os embaixadores de Filipe e os embaixadores de Aníbal foram capturados por Públio Valério Flaco, comandante da frota romana que patrulhava o sul da costa da Apúlia. Uma carta de Aníbal a Filipe e os termos do tratado entre ambos foram descobertos pelos romanos. A notícia da aliança entre a Macedônia e Cartago foi alarmante para Roma. Foram enviadas imediatamente 25 barcos para unirem-se à patrulha de Flaco na costa da Apúlia e também um número igual de barcos para patrulhar a costa do mar Adriático perto de Tarento.
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Moeda de Filipe V com a efígie de Hélios, o deus sol

A Primeira Guerra Macedônica (214 - 205 a.C.)
No fim do verão de 214 a.C., Filipe tentou de novo tomar o controle da Ilíria por mar, com uma frota de 120 lembos. O lembo era uma pequena embarcação para um contingente de 50 homens além dos remadores. Era mais rápida e mais fácil de manobrar. Os macedônios capturaram a cidade de Orico, pouco defendida, navegaram através do rio Aous (o atual Vjosë) e assediaram a cidade de Apolônia na Ilíria. Enquanto isso, os romanos mobilizaram uma frota sob as ordens do propretor Marco Valério Levino, o qual desembarcou nas imediações de Orico e retomou-a facilmente após um pequeno combate. Quando Levino teve notícias do assédio de Apolônia enviou 2.000 homens sob o comando de Quinto Névio Crista para que auxiliasse a cidade. Crista capturou o exército de Filipe e rodeou o seu acampamento. Filipe escapou com os seus barcos e regressou para Macedônia, deixando uma boa parte da sua frota e dos seus homens, que foram assassinados ou feitos prisioneiros, e os barcos queimados.
Uma embarcação do tipo lembo.
Após a invasão frustrada da Ilíria por via marítima, a frota de Levino fundeada no mar Adriático fazia um bloqueio romano à região. Filipe passou os dois anos seguintes (213 - 212 a.C.) realizando incursões na Ilíria por via terrestre com êxito. Guardando a costa, Filipe tomou as populações das cidades de Atintânia e Dimales e subjugou as tribos ilíricas dos dassaretas, dos partinos e dos ardieus do sul. Filipe capturou a cidadela de Acrolisso, uma cidadela considerada inexpugnável, e a estratégica cidade de Lisso (atual Lezha na Albânia) se rendeu em 212 a.C. A captura desta população fez com que os territórios adjacentes da zona se rendessem sem dilação. A captura de Lisso reavivou as esperanças do monarca de conquistar a Itália. Contudo, a perda da frota macedônica tornara esta conquista quase inviável, embora a investida de Filipe na Ilíria fez com que Roma receasse o poder da Macedônia. Nesse mesmo ano nasceu Perseu, filho de Filipe com Policrácia.
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Moeda de Filipe V com a efígie do herói grego Perseu cujo nome deu ao seu filho

A Aliança entre a República Romana e a Liga Etólia
Visando deter a conquista da Ilíria e a aparentemente iminente invasão de Filipe à Itália, os romanos buscaram aliados entre os povos gregos a fim de desestabilizar as fronteiras do rei macedônio e obrigando o monarca a defender-se no seu próprio território. A Liga Etólia surgia como um provável aliado da República. Os etólios tinham feito a paz com os macedônios em Naupacto em 217 a.C. mas, após cinco anos, tinham-se recuperado dos estragos causados pela guerra contra os seus vizinhos e estavam preparados novamente para se levantarem contra os que eram os seus inimigos tradicionais, os macedônios. Em 211 uma assembleia etoliana reuniu-se para negociar com Roma. Levino assinalou a captura de Cápua e Siracusa, anteriormente sob domínio cartaginês, como uma prova da capacidade militar de Roma. Firmou-se então um tratado de aliança entre Roma e a Liga Etólia com o fim de combater conjuntamente aos macedônios. Os etólios dirigiriam as operações por terra, enquanto os romanos o fariam por mar. O tratado estipulava ademais alianças com outras cidades-membros da Liga: Elis, Esparta, Messênia e com o rei Átalo I de Pérgamo na Ásia Menor (que vinculara-se à Liga Etólia) e dois clientes de Roma, os chefes ilírios Pleurato e Escerdilaidas.
King Attalus I Soter of Pergamon. Berlin (Germany). Photo Marco Prins.
Átalo I Sóter, rei de Pérgamo
Após o verão, Levino conquistou a principal cidade da ilha de Zacinto (noroeste da Grécia), exceto sua cidadela, a cidade de Eníadas na Acarnânia e a ilha de Naxos, a qual entrou para a Liga Etólia. Após isto transladou a sua frota a Corfu para passar o Inverno. Ciente da aliança entre Roma e a Liga Etólia, Filipe apressou-se em assegurar sua fronteira norte. Realizou incursões na Ilíria, Orico e Apolônia e tomou a cidade fronteiriça de Sintia na Dardânia. Filipe marchou depressa para sul através da Pelagônia, Lincestis, Botiea e Tempe, onde deixou uma guarnição de 4000 homens, voltou para norte outra vez atacando a tribo dos medos na Trácia e a sua cidade principal, Iamforina, retirando-se depois para Macedônia.
File:Aetolia map.jpg
Acarnânia e Etólia
Ao regressar da Trácia, Filipe recebeu uma petição desesperada dos seus aliados acarnânianos. O estratego (general) etólio Escopas mobilizara ao exército etólico e preparava a invasão da Acarnânia. Desesperados e rodeados, mas prestes a resistirem, os acarnânianos enviaram as suas mulheres, crianças e anciãos para que buscassem refúgio no Épiro e os demais marcharam à fronteira para combater. Após ter notícias da determinação dos acarnânianos, os etólios vacilaram e, ao saberem da chegada do rei macedônico, abandonaram definitivamente a invasão. Após isto, Filipe retirou-se para Pela para passar o inverno. Mas as investidas contra os aliados da Macedônia continuaram. Na primavera de 210 a.C., Levino navegou de novo desde Corfu com a sua frota e com os etólios conquistou a cidade de Anticira na Fócia. Roma escravizou a população e a Liga Etólia apropriou-se do território conquistado.
Dracma com a efígie de Filipe V

REFERÊNCIAS:
http://www.livius.org/phi-php/Filipe/Filipe_v.html
http://fr.wikipedia.org/wiki/Filipe_V_de_Mac%C3%A9doine
http://ca.wikipedia.org/wiki/Apel%C2%B7les_(guardi%C3%A0)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Guerra_Maced%C3%B4nica#Primeira_Guerra_Maced.C3.B4nica

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

ANTÍGONO III DÓSON (229 – 221 a.C.)

Antígono III Dóson (?-221 a.C.) foi rei da Macedônia, primo e sucessor do rei Demétrio II Etólico. Foi apelido de Δώσων (dóson), particípio futuro do verbo 'dar' em grego: Aquele que dará. Segundo Plutarco ele recebeu esse apelido, pois ainda que tivesse a disposição de dar, não a tinha para fazê-lo, o que indica que ele não cumpria suas promessas, mas tal interpretação dificilmente pode estar correta, já que, uma vez em uma posição de autoridade, ele é a usou de forma mais sensata e eficaz do que qualquer dos seus antecessores antigônidas. Possivelmente o sentido primeiro de dóson era “aquele que dará [restituirá o poder]” já que ele era regente do príncipe Filipe V. O historiador Políbio fala favoravelmente do seu caráter e louva-o por sua sabedoria e moderação.
Inscrição mencionando Antígono Dóson no Museu de Tessalônica, Grécia
Origens
Antígono era filho do príncipe macedônio Demétrio, o Belo, e de Olímpia de Larissa. Seu pai era filho do rei macedônio Demétrio I Poliorcetes com a princesa egípcia Ptolemais. Sua mãe era filha de um nobre grego chamado Policleto de Larissa. Na Cirenaica, reino de origem grega que ficava na Líbia, África, a rainha Apame II buscou aliançar-se com a Macedônia para fortalecer-se contra o Egito e convidou o príncipe Demétrio, o Belo, para casar-se com sua filha Berenice II e juntos reinarem em Cirene. Demétrio, que possivelmente já era casado com Olímpia, deixou sua primeira esposa e seu filho Antígono para casar-se com alguém politicamente mais importante. Porém, o reino de Demétrio foi curto: em cerca de um ano ele envolveu-se com a própria sogra e foi assassinado por Berenice (c. 250 a.C.). Enquanto isso na Macedônia, Antígono crescia à sombra de seu primo Demétrio II Etólico.
Localização de Cirene
O Regente
Em 229 a.C. o rei Demétrio II Etólico morreu em batalha contra os invasores dardânios. A nobreza macedônica chamou Antígono Dóson como epítropos (regente, guardião) e tutor do príncipe herdeiro Filipe V que tinha cerca de nove anos. Presumivelmente ele era único parente adulto sobrevivente da criança do sexo masculino. Para maior estabilidade do reino, Dóson casou-se com a rainha-viúva, Ftia, e adotou Filipe como seu filho. Ao contrário de seus predecessores, não há evidência de que Dóson era um usurpador com fome de poder. Em vez disso, as fontes evidenciam que Dóson foi alçado à uma posição de autoridade porque demonstrou habilidades de liderança onde seu primo Demétrio tinha falhado expulsando os invasores dardânios. Ele, porém, herdou a Guerra Demetriana, contra a coalizão da Liga Aqueia e a Liga Etólia, que são apoiadas pelo rei Ptolomeu III Euergetes do Egito.
As Ligas Etólia e Aqueia
O Rei
Em 227 Dóson foi persuadido por outros líderes da Macedônia para reclamar o trono para si mesmo já que era casado com a rainha Ftia. Aparentemente, tanto o exército macedônio e nobreza pensaram que a situação política era instável demais (ameaças das tribos ilírias ao norte dos gregos ao sul) para esperar por Filipe V atingir a maturidade suficiente para assumir o comando. Tempos de crise política e incerteza sempre demandam uma liderança experiente. E nesta crise Antígono Dóson foi escolha unânime da Macedônia. Ao contrário de seus antepassados antigônidas, ele não tinha rival viável para contestar o seu direito de governar. No entanto, mesmo como rei, ele aparentemente imaginou a si mesmo como zelador do trono para o filho de seu primo, Filipe V. Dóson nunca foi acusado de tentar fazer seus próprios filhos herdeiros do trono da Macedônia. Antígono interveio primeiro na Tessália para impedir a adesão das cidades da região para o lado dos etólios assegurando o domínio macedônico. Porém, mais ao sul a Liga da Beócia e a Liga da Fócida se aliaram à Liga dos aqueus, e Atenas, negocia a rendição das guarnições de Pireu, Muniquias, Salamina e do cabo Súnion. Ainda em 227, aproveitando a guerra civil no Império Selêucida entre o rei Seleuco II Calínico e seu irmão Antíoco Hieráx, Antígono intervém na Cária, no Golfo do Iasos, e estende a sua influência sobre Priene e Samos com a ajuda de Olímpico, dinasta de Alinda. Provavelmente sua intenção era fazer frente ao poder naval de Ptolomeu e, eventualmente, assumir o controle dos estreitos marítimos. Em seu governo Antígono III utilizou-se tanto da diplomacia tática quanto de estratégia militar. Em menos de uma década de governo ele não só garantiu as fronteiras de seu país como também o restabeleceu como a potência dominante na região. Ele evitou o domínio direto sobre os seus vizinhos que ferozmente defendiam sua independência e formou alianças com o Épiro e a Liga Aqueia. 
A região da Cária

A Guerra Cleomeneana
Em 229 a.C. o rei de Esparta Cleômenes III conquista várias cidades da Arcádia e uma disputa entre Esparta e Megalópolis, cidade-membro da Liga Aqueia, faz com aqueus e espartanos iniciem hostilidades. Cleômenes é apoiado financeiramente por Ptolomeu III. O rei do Egito outrora apoiava a Liga Aqueia, mas agora apoiava Esparta pois via nela um melhor aliado contra a Macedônia do que os aqueus. Quando Ptolomeu III se ofereceu para ajudar Cleômenes exigiu como garantia  que esse entregasse a sua mãe e e seus filhos crianças como reféns; o rei espartano hesitou. No entanto, sua mãe soube da oferta de Ptolomeu e voluntariamente partiu Egito assegurando o apoio de Ptolomeu. Em 227 Megalópolis envia embaixadores a Antígono III solicitando sua ajuda contra Esparta, mas nesse momento o rei macedônio não tem interesse de ajudar. Arato queria que o rei da Macedônia enfrentasse o rei de Esparta em troca da posse de Acrocorinto, mas os aqueus acharam essa troca inviável.
Ptolomeu III


 Porém, em 226, a Liga Aqueia é terrivelmente derrotada por Esparta. Desmoralizada com a derrota, a Liga aceita a renúncia de Arato como comandante e quando Atenas e a Liga Etólia recusam-se a ajudá-la, ela entre em negociações de paz com Cleômenes. Como já havia um negociamento diplomático entre Arato e Antígono desde 226, agora, em 224, Arato solicita novamente a intervenção do rei macedônio quando Esparta já tinha tomado o controle de Corinto, Argos, Flio e ameaça Sicião. A Liga Aqueia elege Antígono como seu hegemon (comandante) e envia reféns a Pela, capital macedônica, como garantia e aceita alimentar e pagar o exército macedônio no primeiro ano do pacto e que se abstenham de se aproximar de qualquer outro reino, sem a permissão de Antígono. O preço da aliança com a Macedônia é muito alto e indica como estava difícil a situação dos aqueus frente os espartanos. 

A map of Greece. That northern half of Greece is occupied by the new Aetolian League and the southern territories under the control of Macedcon, while the south is occupied by Sparta, the Achaean League and several smaller states.
A Grécia durante a Guerra Cleomeneana
A Liga Etólia permanece neutra, mas se recusa a dar passagem nas Termópilas a Antígono que a tem que transferir suas tropas por mar através de Eubeia. Sabendo do avanço macedônico, Cleômenes abandona o assédio a Sicião e faz uma vala desde Acrocorinto até  o istimo de Corinto com a intenção de evitar um ataque frontal com a falange macedônica. O exército macedônio não pode forçar a passagem de Corinto contra os espartanos. Apesar de inúmeras tentativas de passar através da linha defensiva e chegar a Lequeo, o porto de Corinto, as forças de Antígono não o conseguiram e sofreram baixas consideráveis. Mas com a eclosão de uma revolta antiespartana em Argos, Cleômenes é forçado a se retirar de Corinto que é tomada por Antígono que também apoiara a revolta de Argos enviando 1500 homens.

Cleômenes resgata seus homens que ainda estavam em Argos e regressa a Esparta ao saber da morte de sua esposa. O exército macedônio avança sobre a Arcádia desfazendo as guarnições espartanas das cidades de Orcomenos e Mantineia. Na cidade de Egio, Antígono III é confirmado comandante das forças aliadas. Esta ofensiva macedônica de 224 é particularmente significativa: é a primeira campanha de um exército composto de macedônios desde o reinado de Poliorcetes e seus soldados são comparáveis aos que estavam sob o comando de Alexandre III, o Grande, quando invadiu o Império Persa em 334 a.C. Em relação ao de Esparta, o exército macedônio, era maior e melhor equipado.
A temível falange macedônica

A Liga das Ligas
Na cidade de Égio Antígono reuniu seus aliados em uma symmachia (aliança) que compreendia os aqueus, beócios, fócios, acarnânios, epirotas e tessálios: cada povo elege os representantes para o Conselho da aliança cujo hegemon é Antígono: ele é o comandante-em-chefe das tropas e pode convocar qualquer aliado. Essa nova aliança é chamada de Liga das ligas. O Conselho tem jurisdição sobre a admissão de novos membros e sobre outras questões, mas cada Estado aliado se reserva o direito de decidir sobre guerra e paz. A criação do Conselho dos Aliados rompeu com a política macedônia anterior de um governo direto praticado desde o início do século III a.C. Assim não havia guarnições macedônias em outros países e tributos sendo mantida a integridade territorial e independência política. A novidade em relação às coalizões anteriores de 337, 318 e 302, é que a Macedônia é neste momento um Estado-Membro, assim como os outros. Porém, como Antígono detém a liderança da Liga, a Macedônia aumenta seu poder e influência.
Templo de Atena em Tegea

No início da primavera de 223 a.C., Antígono marchou contra Tegea. Aí os aqueus se juntaram a ele e, conjuntamente sitiaram a cidade. Os tegeatas resistiram durante vários dias antes de serem forçados a se render por causa das máquinas de cerco macedônicas. Após a captura de Tegea, Antígono avançou em direção à Lacônia, região de Esparta, onde descobriu que o exército de Cleômenes o estava esperando. No entanto, quando batedores de Antígono informaram que a guarnição da cidade de Orcomeno estava marchando para encontrar-se com Cleômenes, Antígono levantou acampamento e ordenou uma marcha forçada, e com isso, conseguiu surpreender a cidade e forçá-la a se render. Antígono procedeu à captura Mantine, Hereia e Telpusa limitando a Cleômenes à Lacônia. Então Antígono voltou a Égio, onde entregou um outro relatório sobre as suas operações antes de enviar as tropas macedônicas para casa e passarem lá o inverno.

Cleômenes Contra-Ataca
Para piorar a situação de Esparta, Ptolomeu III retirou o seu apoio financeiro deixando Cleômenes sem dinheiro para pagar seus mercenários. O historiador Peter Green supõe que Antígono havia cedido alguns territórios na Ásia Menor para o Faraó do Egito em troca da retirada do seu apoio financeiro a Esparta. Desesperado por sua necessidade de dinheiro, Cleômenes libertou todos os hilotas (escravos públicos de Esparta) que pudessem pagar cinco minas áticas (equivalente a 500 dracmas) e assim, conseguiu arrecadar 500 talentos de prata. Também forneceu armas de estilo macedônico para 2.000 dos hilotas libertos para confrontar os guerreiros da Macedônia.
Hilotas
Cleômenes soube que Antígono tinha licenciado as suas tropas e só viajava com seus mercenários e se encontrava em Égio. A maioria dos aqueus em idade de empunhar armas morrera nas batalhas do monte Liceu e Ladoceia contra Cleômenes no início da guerra. Tendo diante de si essas condições favoráveis o rei de Esparta guarnece seu exército de provisões para cinco dias e envia suas tropas para Selásia simulando que vai invadir o território de Argos. Porém, de lá ele foi para a terra de Megalópolis e durante a noite seu capitão Panteu conquistou o mais fraco ponto das muralhas enquanto Cleômenes e o resto do exército o seguiam; com a vitória de Panteu sobre os sentinelas da muralha, Cleômenes e os outros espartanos entraram no cidade. Os megapolitanos resistem, mas não conseguem deter os espartanos. Muitos fogem para Messene. Cleômenes os convida a aliarem-se a ele, mas eles se recusam. O rei de Esparta ordena a pilhagem e o incêndio da cidade que queima até o chão. Os espartanos angariaram cerca de 300 talentos com o saque de Megalópolis.
Ruínas de um teatro em Megalópolis
A captura de Megalópolis fez estremecer a Liga Aqueia. Cleômenes se lançou a devastar o território de Argos com seu exército, sabendo que Antígono não oporia resistência devido a sua falta de homens. O rei espartano também calculava que suas ações fizessem com que os argivos perdessem a confiança em Antígono por seu fracasso em defender suas terras. O embate entre as forças inimigas se encaminhava para contornos decisivos. No verão de 222, Antígono convocou suas tropas da Macedônia e estas vieram junto com outras unidades dos Estados aliados. Segundo o historiador Políbio, o exército macedônio tinha 10.000 unidades de infantaria, a maioria armada como as tradicionais falanges, 3.000 peltastas (infantaria ligeira mercenária), 1.200 unidades de cavalaria, 3.000 mercenários, 8.600 aliados gregos e 3.000 soldados aqueus de infantaria, que totalizaram 29.200 homens.
Peltasta
Cleômenes havia fortificado todas as passagens pelas quais se ingressava na Lacônia com barricadas e trincheiras e depois partiu com seu exército de 20.000 homens para a passagem em Selásia. Nesta passagem havia dois morros, Evas e Olimpo. Cleômenes fez seu irmão ficar posicionado em Evas com as tropas aliadas e os espartanos periecos, enquanto ele estava no Olimpo com 6000 hoplitas espartanos e 5000 mercenários.

A Batalha de Selásia
Quando Antígono chegou em Selásia (julho de 222 a.C.) com seu exército, encontrou a passagem bem guardada e decidiu não atacar uma posição tão forte. Em vez disso, ele montou seu acampamento perto Selásia e esperou por vários dias. Enviou exploradores para reconhecer a zona e fingir ataques às tropas de Cleômenes. Não podendo fazer Cleômenes deslocar-se, Antígono decidiu arriscar-se uma batalha frontal contra os espartanos. Antígono colocou suas falanges para confrontar a infantaria lacedemônia que estava em cima de duas colinas. A cavalaria de Antígono formada por macedônios, os aqueus, que eram liderados pelo célebre Filopêmen, beócios e mercenários estava sob o comando de Alexandre e foi disposta em ordem diante da cavalaria inimiga no centro. 
Esquema da batalha de Selásia
A ala direita macedônica na colina de Evas avançou contra os espartanos, mas foi atacada na retaguarda pela infantaria leve do inimigo que foi originalmente posta em ordem com a cavalaria. Acuada, tanto por trás como na frente, a falange de Antígono foi reprimida até que Filopêmen ignorou suas ordens e com seus homens foram ajudar a falange o que forçou as tropas inimigas a se retirarem, garantindo assim a vitória para os macedônios. Após a batalha, Antígono elogiou a iniciativa do jovem Filopêmen. Terrível foi a derrota de Esparta. De acordo com Plutarco, dos 6.000 espartanos , apenas 200 sobreviveram, outros preferiram uma morte honrosa (suicídio) do que a desonra da derrota. Cleômenes e um pequeno contingente da cavalaria conseguiram escapar alertando Esparta da derrota em Salésia e de que não resistisse ao invasor. O rei e seu grupo fugiram para o Egito onde reinava Ptolomeu IV e onde por fim morreu em 219 a.C. após tentar sublevar a população contra o Faraó.
Ptolomeu IV
Antígono marchou triunfante para Esparta que, pela primeira vez na sua orgulhosa história, foi conquistada. Ela fora a cidade-Estado mais poderosa da Grécia e não fora submetida nem por Filipe II nem por Alexandre, o Grande. Não que Antígono fosse mais brilhante ou mais poderoso que esses reis macedônios; é que as circunstâncias eram outras bem como os jogos políticos. Antígono III Dóson era o primeiro conquistador estrangeiro de Esparta, mas tratou a população com generosidade. O rei macedônio ordenou a reversão das reformas introduzidas por Cleômenes, restaurou a presença de éforos (conselho de Esparta que fora abolido) e não obrigou Esparta a aderir à Liga helênica, mas os espartanos, diante de sua precária situação, aderiram à Liga por sua própria escolha. Porém, Antígono não restaurou as antigas dinastias reais. Com a derrota de Cleômenes, não tardou que o poder de Esparta caisse nas mãos de tiranos.
Ruínas de Esparta
A Grécia fora pacificada. Antígono III Dóson era o líder da nova aliança entre os Estados gregos e a Macedônia despontava novamente como a principal potência do mundo grego na Europa. Porém, enquanto Antígono travava sua luta no sul, os ilírios voltaram a invadir a Macedônia. Dóson deixou Esparta em três dias e voltou para a Macedônia, deixando uma guarnição em Acrocorinto e Orcomeno.  Além disso, segundo Plutarco, Antígono estava enfermo e a doença já está avançada tendo o rei desenvolvido um catarro agudo. Ele, contudo, almejando resolver seus conflitos em casa, renovou suas forças e assim, após matar muitos inimigos, ele conquistou uma grande vitória sobre os ilírios. Após a qual bradou: “Ó dia feliz!”. No entanto, enquanto gritava as ordens na batalha um vaso sanguíneo se rompeu. Isso causou hemorragia e febre alta e o rei morreu (221 a.C.). Antígono não estava destinado a ser rei e quando isso aconteceu reinou da melhor maneira que pode e em muita coisa foi melhor que seus predecessores. Quando de sua morte foi sucedido por seu enteado o jovem Filipe V.
Guerreiros ilírios

REFERÊNCIAS:
http://en.wikipedia.org/wiki/Antigonus_III_Doson
http://fr.wikipedia.org/wiki/Antigone_III_Doson
http://www.livius.org/am-ao/antigonus/antigonus_iii_doson.html
http://es.wikipedia.org/wiki/Guerra_de_Cle%C3%B3menes
http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Plutarch/Lives/Cleomenes*.html
http://www.livius.org/a/greece/thessalonica/museum/thessalonica_antigonos_doson_mus_theski.JPG