Ao final de 327, Alexandre tinha garantido a fronteira nordeste do seu reino e estava pronto para uma nova campanha: a Índia, um país que os macedônios conheciam apenas pelas obras de Heródoto de Halicarnasso e Ctésias de Cnido, apesar de seus relatos serem cheios de fatos incríveis. Acreditava-se que depois da Índia viria o mar Oceano, que seria o fim do mundo. Se Alexandre conquistasse a Índia seria não apenas o Senhor da Ásia, mas o Senhor do Mundo. Mas a Índia que os greco-macedônios vão encontrar não é a totalidade do subcontinente indiano, mas seu lado mais ocidental o Punjab e o Vale do rio Indo que era repleto de vários principados. Era uma guerra desnecessária, e sua única causa deve ter sido a ambição, curiosidade e o desejo de Alexandre por mais uma guerra. Com Sogdiana e Bactriana submetidas, Alexandre convidou todos os chefes de Gandara, antiga satrápia indiana do Império Persa (norte do que hoje é o Paquistão), para vir a ele e submeterem-se à sua autoridade. Taxiles (também conhecido como Omphis, mas o nome original em sâncrito é Ambhi), rajá de Taxila, cujo reino se estendia do rio Indo ao rio Hidaspes (Jhelum), veio prestar as homenagens. Mas os chefes dos os aspásios (ashvayanas) e os assacenos (ashvakayanas), clãs montanheses da tribo dos kambojas, se recusaram. Abaixo, mapa da região de Gandara.

Massacre em Gandara
Enquanto Pérdicas e Heféstion rumaram com um contingente diretamente para Taxila para construírem uma ponte sobre o rio Indo, Alexandre assumiu pessoalmente o comando das várias facções de seu exército (escudeiros, arqueiros, os escudeiros, cavalaria, etc.) e o grupo dos agriânios, tribo trácia que era experiente em combates em terrenos montanhosos e rumou contra os aspásios no vale de Kunar, contra os gurenos do vale do rio Gureu (atual Panjkora) e contra os assacenos dos vales do Swat e Buner. Esses clãs indianos eram constituídos de valentes guerreiros e deram muito trabalho a Alexandre. Abaixo, ilustração de guerreiro agriânio.

Após o extermínio geral e incêndios cometidos por Alexandre em Massaga e Ora, muitos assacenos fugiram para a fortaleza de Avarana na montanha Pir-Sar chamada pelos gregos de Aornos (“sem pássaros”, pois de tão alta o voo das aves não podia atingi-la; é a moderna cidade de Swat, Paquistão). O cerco aconteceu no inverno de 327-326 aC. Com o apoio de tribos locais e após quatro dias de sangrento embate, Aornos foi conquistada. O historiador Arriano diz que glória de Alexandre nessa conquista foi maior do que a de Hércules já que segundo a mitologia grega, Hércules não conseguiu conquistar Aornos. O assédio de Aornos foi último cerco de Alexandre considerado o clímax da carreira do Conquistador que é tido como o maior assediador na história, segundo o historiador Robin Lane Fox. Abaixo, o assédio a fortaleza de Aornos.
Alexandre levantou altares a deusa Atena Niké (Atena da Vitória). Do ponto de vista estratégico, segundo o historiador Jona Lendering, a tomada de Aornos não tinha valor, mas segundo a tradição hindu o deus Krishna não teria conseguido tomar a fortaleza. Assim a tomada de Aornos tinha uma mensagem aos indianos: Alexandre fizera algo que um dos seus deuses não conseguira.O rajá Sisicoto (Sashigupta), que tinha ajudado Alexandre nesta campanha, foi feito o governador de Aornos. Abaixo, o rio Indo e a montanha de Aornos.




A infantaria macedônica levou vantagem avançando e provocando estouros dos elefantes sobre as tropas inimigas, enquanto a cavalaria, atacando por trás da linha indiana, derrotava a de Poro. As tropas derrotadas e os elefantes colidiam com o restante da linha de Poro, que por fim rompeu e debandou. Crátero, nesse meio tempo, cruzou o rio e se juntou à perseguição, durante a qual as perdas indianas foram estimadas em dois terços de sua força original. Abaixo, moeda comemorativa da vitória de Alexandre na Índia emitida por Ptolomeu, general macedônico e futuro faraó do Egito.
Poro era um dos muitos indianos que impressionaram Alexandre. Ferido no ombro, mas ainda em pé, o rajá dos parauvas tinha mais de 2 m de altura. Ele foi questionado por Alexandre como desejava ser tratado. "Trate-me, ó Alexandre, como um rei", Poro respondeu. A bravura e habilidades de guerra de Poro impressionaram tanto Alexandre que ele poupou a vida de Poro, embora ele tivesse sido derrotado, e deixou-o como regente da região do Hidaspes em nome de Alexandre. Nomeou-o sátrapa de seu próprio reino e a ele acresceu terras que antes não possuía. Abaixo, ilustração da rendição de Poro diante de Alexandre Magno.


Essa aliança de Alexandre com Poro certamente foi desapontadora para Taxiles, pois esse chamara o Macedônio para combater seu inimigo e agora após uma ferrenha batalha os dois se tornam aliados e assim Taxiles e Poro foram obrigados a se reconciliarem. Em seguida, o Macedônio fundou a cidade de Alexandria Nikaia (Vitória), localizada no campo de batalha para comemorar o seu triunfo. Ele também fundou a cidade de Alexandria Bucéfala na margem oposta do rio. Alexandre fez isto em memória de seu muito estimado cavalo, Bucéfalo, que morreu durante a batalha. Abaixo, mapa da campanha de Alexandre na Índia e adjacências.

Insatisfeito por seu tio-avô ter se aliançado com os macedônios, o rajá Poro de Gandaritida reuniu um exército. Ao leste do reino de Poro, perto do rio Ganges, havia o poderoso Império Nanda de Magadha e o Império Gangaridai de Bengala. Alexandre preparou-se para para avançar em direção a esses reinos.
REFERÊNCIAS:
REFERÊNCIAS:
http://www.livius.org/aj-al/alexander/alexander13.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Alexander's_Indian_campaign
http://www.livius.org/u/udegram/ora.html
Castro, Paulo de. Biblioteca de História: Grandes Personagens de Todos os Tewmpos, vol. 4: Alexandre, o Grande. Editora Três: São Paulo, 1973.
Wepman, Dennis. Os Grandes Líderes: Alexandre, o Grande. Editora Abril: São Paulo, 1988.
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