terça-feira, 26 de outubro de 2010

LISÍMACO (288 – 281 a.C.)

Lisímaco (c. 360.-281 a.C.) foi um guarda-costas macedônio de Alexandre, o Grande, e um dos diádocos (sucessor) que partilhou seu Império após sua morte. Lisímaco distinguiu-se como guerreiro tornando-se rei da Trácia, Ásia Menor e da Macedônia. Lisímaco nasceu em cerca de 361/360 a.C. em Pela, capital da Macedônia. Ele era filho do Agatócles, um tessálio de Crannon, que por adulação caíra nas boas graças do rei da Macedônia Filipe II (360-336) alcançando uma posição proeminente na corte. Seus irmãos eram Filipe, Autodico e Alcímaco. Lisímaco desde cedo se distinguiu por sua coragem assim como por sua grande atividade e pela força de seu corpo, qualidades às quais ele contribuíram para sua nomeação como somatophilax (guarda-costas), um importante posto dos oficiais em torno do rei Alexandre III, o Grande (336-323), posto que provavelmente já ocupara durante o reinado de Filipe II. 
Lisímaco
Segundo o geógrafo Pausânias, uma vez irritado, Alexandre trancou Lisímaco junto com um leão numa câmara, descobrindo depois que ele havia dominado a fera; a partir daí Alexandre o tratou com respeito e honrando-o como os demais nobres macedônios. Porém, apesar dessa distinção e dele ser freqüentemente mencionado no atendimento próximo ao rei, a ele não parece ter sido prontamente confiado qualquer comando em separado, ou como a condução de qualquer empreendimento de grande importância, como foi frequentemente foi caso de outros somatophilax como Ptolomeu, Pérdicas, Leonato e outros oficiais. Assim, parece que Alexandre o considerou mais qualificado como um soldado do que um general. Segundo o historiador romano Quinto Cúrcio, a origem desse episódio lendário veio de quando Lisímaco, participando de uma caça na Síria, havia matado um leão de grande tamanho com uma só mão, embora não sem receber ferimentos graves no ocorrido.
caça ao leão num antigo mosaico macedônico

A Campanha na Ásia
Durante a expedição de Alexandre Magno na Ásia (334-323), Lisímaco atuou bem próximo ao rei tendo se destacado durante a campanha da Índia. Ele abordou um navio de trirreme no rio Hidaspes junto com outros dois somatophylax, antes da batalha contra o rei indiano Poro (326), embora seu papel na batalha não seja atestado; supostamente lutou nas imediações do próprio Alexandre. No mesmo ano, na conquista de Sangala na Índia (326) Lisímaco é um dos cerca de 1.200 dos soldados de Alexandre que foram feridos. Quando Alexandre decidiu descer o rio Indo até o Oceano, Lisímaco foi incumbido como trierarca de uma embarcação. A trierarquia era uma função pública de origem grega na qual o trierarca equipava um navio à sua custa. Em Susa, na primavera de 324, Lisímaco e os demais somatophylax foram coroados por Alexandre, embora, ao contrário Leonato, Lisímaco não parece ter ganhado nenhuma distinção especial.
Expedição de Alexandre pelo rio Indo
Governador da Trácia
Em 323 a.C. Alexandre morre na Babilônia. Seu irmão bastardo Filipe III Arrideu e seu filho Alexandre IV são reconhecidos como os novos reis da Macedônia sob a regência de Pérdicas o chefe da cavalaria. O império de Alexandre é reorganizado na chamada Partição de Babilônia e suas satrápias são confiadas a importantes oficiais macedônios. Lisímaco foi estabelecido como sátrapa (governador) da Trácia, Quersoneso e das populações vizinhas aos trácios bem como a cidade de Salmidesso na costa do Mar Negro. Essa nomeação é de grande importância, pois protegeria as fronteiras ao norte da Macedônia, e Lisímaco pode tê-la obtido em consequência do seu reconhecido valor como guerreiro, sendo considerado o mais competente para lidar com os bárbaros beligerantes que se avizinhavam à região. E isso foi logo posto a prova, visto que, mal tinha chegado em seu governo, foi chamado para se opor a Seutes III, rei dos trácios odrísios, que tinha reunido um grande exército, com o qual estava se preparando para angariar sua independência dos macedônios.
A Trácia
Na primeira batalha, Lisímaco obteve uma vitória parcial, não obstante uma grande disparidade de força, mas não se sabe nada dos acontecimentos posteriores à guerra. É provável, contudo, que ele esteve durante algum tempo muito ocupado com as hostilidades dos odrísios e outras tribos bárbaras, e que foi esta circunstância que o impediu de tomar parte ativa nas guerras que surgiram entre outros generais de Alexandre. Não obstante, era considerado um aliado valioso. Quando da Primeira Guerra dos Diádocos (322-320), ele se aliou à Antípatro, governador da Macedônia, contra o regente Pérdicas. A aliança foi selada em 321 pelo casamento de Lisímaco com Niceia, filha de Antípatro que fora repudiada por Pérdicas. Da união nasceram Agátocles, Eurídice e Arsínoe. Posteriormente, Lisímaco fundou em 300 a.C. a cidade de Niceia na Ásia Menor em homenagem a sua esposa. Ao fim do conflito, Antípatro era o novo regente do Império e tutor dos reis macedônicos. Lisímaco foi confirmado em seu posto. Os primeiros anos de seu governo passaram em aparente inatividade, mas Lisímaco, não apenas consolidou o seu poder, mas estendeu seu domínio até a foz do Danúbio e ocupou com suas guarnições as cidades gregas ao longo do costa ocidental do Mar Negro.

A Segunda Guerra dos Diádocos (318-315 a.C.)
Quando o regente Antípatro morreu estourou a Segunda Guerra dos Diádocos (318-315 a.C.). O general macedônio Poliperconte fora nomeado o novo regente, mas foi contestado por Cassandro, filho de Antípatro, que conseguiu aliciar para sua causa a Ptolomeu do Egito, Antígono da Ásia e Lisímaco. Poliperconte contava com o apoio de Eumenes de Cárdia que fora aliado de Pérdicas e governava as províncias mais orientais. Lisímaco participou do conflito apenas dando seu apoio moral, já que não interveio militarmente. Ao fim do conflito, o rei Filipe III Arrideu e sua esposa foram mortos por Olímpia, mãe de Alexandre Magno, que por sua vez foi executada a mando de Cassandro, o novo regente da Macedônia, que tinha sob sua custódia ao rei Alexandre IV e sua mãe. Poliperconte mantinha o controle sobre o Peloponeso e Eumenes fora derrotado por Antígono que se tornara senhor da maior parte do império de Alexandre. Antígono visa restaurar a integralidade do Império sob sua autoridade. Ptolomeu estava alarmado com o crescimento de seu poder e que seria incapaz de manter a independência do Egito contra as forças unidas da Ásia . Ele advertiu a Cassandro e Lisímaco sob as ambições e a magnitude de Antígono. No outono, os três homens concluíram uma aliança contra Antígono e enviaram um ultimato ao poderoso sátrapa da Ásia que chegou a ele no inverno de 315/314: todo o dinheiro que havia adquirido em sua campanha no Oriente tinha que ser redistribuído entre os diádocos e ele tinha que desistir de suas conquistas. Naturalmente, Antígono recusou e uma terceira guerra entre os diádocos eclodiu na primavera de 314.
O território de Lisímaco e dos demais diádocos durante a Terceira Guerra

A Terceira Guerra dos Diádocos (315-311 a.C.)
Lisímaco também reivindicou a Frígia Helespontina além dos territórios que já possuía, e sobre a recusa de Antígono, imediatamente estava preparado para a guerra. Ele veio tomar parte ativa nas hostilidades que se seguiram quando da revolta das cidades gregas no Mar Negro: Calátia, Istro e Odesso. Ele então atravessou imediatamente os Bálcãs com um exército e derrotou as forças das tribos citas e trácias que os gregos tinham chamado em sua assistência, bem como uma frota e o exército enviado por Antígono em seu apoio (313 a.C.), e assim sucessivamente submeteu as três cidades. Poliperconte aliara-se a Antígono o que fez Cassandro ficar aberto a negociações com seus inimigos; mas, a renovação de apoio por parte de Ptolomeu e Lisímaco fez com que o regente da Macedônia continuasse a guerra. Por fim, os Diádocos concluíram um tratado de paz em dezembro de 311. Ptolomeu e Lisímaco foram confirmados em seus territórios; Cassandro e Antígono permaneceram como comandantes supremos das forças macedônias na Europa e na Ásia, respectivamente, e as cidades gregas foram reconhecidas por todas as partes como "livres e autônomas" (Cassandro, porém, manteve guarnições em vários lugares), e que foi acordado que o rei Alexandre IV, então com doze anos, se tornaria o único governante do império inteiro quando atingisse a maior de idade em 305. Evidentemente que era um tratado muito tênue diante de homens tão ambiciosos quanto poderosos. Tanto que em 309, temendo um levante popular, Cassandro mandou matar o rei menino e sua mãe, eliminando assim a dinastia dos Argéadas e não estourou imediatamente uma nova guerra para vingar o rei morto. Antes, os diádocos começaram a se preparar para defenderem e ampliarem seus territórios. No mesmo ano, Lisímaco fundou a cidade de Lisimáquia no Helesponto, não muito longe do local da cidade de Cárdia da qual grande parte dos habitantes ele obrigou a removerem-se para o novo assentamento. A prática de fundar cidades e batizá-las com referência ao próprio nome era uma tradição dos reis Filipe II e Alexandre Magno. Isso mostra o quão independente Lisímaco almejava ser.

A Quarta Guerra dos Diádocos (307 – 301 a.C.)
Em 307 a.C. Antígono, almejando conquistar mais territórios, envia seu filho Demétrio à Grécia que expulsa as guarnições de Cassandro e é saudado com seu pai como reis, deuses e libertadores. Inicia-se a Quarta Guerra dos Diádocos. Em 306 Demétrio conquista Chipre e desde então Antígono passa a usar o título de rei, antes só reservado aos descendentes de Filipe II e Alexandre Magno. Lisímaco, Ptolomeu e Seleuco (que governava a Babilônia e o Irã) seguiram o exemplo e passaram a usar o título e as insígnias reais sobre seus territórios. No outono de 306 Antígono ataca sem sucesso a Ptolomeu do Egito e seu filho Demétrio sitia a cidade de Rodes na ilha de mesmo nome. O cerco terrível durou cerca de um ano (verão de 305 ao verão de 304) e  valeu a Demétrio o apelido de poliorketes "o sitiador de cidades". Lisímaco enviou suprimentos para ajudar os rodianos durante o sítio junto com outros monarcas. Rodes não foi tomada, mas concluiu um tratado de aliança com os Antigônidas. Apesar de seus revezes, Antígono e Demétrio continuavam beligerantes e ameaçadores aos demais reis helenísticos. Sendo o mais vulnerável de todos, Cassandro buscou a paz com os Antigônidas (302 a.C.).
Demétrio Poliorcetes
Mas, eles estavam convencidos de que poderiam derrotar plenamente Cassandro e exigiram a rendição incondicional, o que o rei macedônio não estava disposto a aceitar. Cassandro era cunhado de Lisímaco, a quem costumava recorrer em busca de aconselhamento em momentos de adversidade. Lisímaco prontamente se juntou ao plano de Cassandro de se formar uma coligação de oposição ao progresso alarmante de Antígono e Demétrio. Eles enviaram embaixadores a Ptolomeu e a Seleuco da Babilônia, que aderiram facilmente a coalizão proposta. Cassandro iria se opor a Demétrio na Grécia, enquanto Lisímaco, com um grande exército, invadiria a Ásia Menor. Seleuco e Ptolomeu atacariam Antígono na Ásia também.

Lisímaco Invade a Ásia
Essa aliança tornou impossível para Demétrio continuar na Tessália onde combatia as forças de Cassandro e além disso ele foi convocado por seu pai para deixar a Grécia e juntar-se a ele. Ele concluiu um armistício com Cassandro e retornou para o Oriente. Antígono concentrou seus exércitos na Ásia Menor (atual Turquia), porque Lisímaco invadira esta parte de seu reino (302 a.C.). Embora Lisímaco parecesse inicialmente fraco ante as forças de Antígono, ele tinha um grande fundo de guerra e recebera várias unidades do exército de Cassandro. 
Os reinos dos Diádocos em 302 a.C.
Ele invadiu a Ásia na costa oeste capturando as cidades de Sardes e Éfeso, duas cidades muito ricas. Inicialmente, as forças de Lisímaco tomaram várias cidades do Helesponto (algumas se renderam por vontade própria e outras foram submetidas pela força). Enquanto seu tenente, Prepelau, subjugava a maior parte da Jônia (tomou Éfeso) e da Eólia, ele mesmo invadiu a Frígia e tomou as importantes cidade de Sardes e Synnada. Mas, ante o avanço de Antígono que vinha da Síria, ele decidiu limitar-se à defensiva e não arriscar um confronto direto, vez que ele esperava ajuda de Seleuco; em conseqüência, retirou-se primeiro a Dorileu, onde se fortificou em boa posição, mas acabou por ser forçado a partir daí, e retirou-se para a Bitínia, passando o inverno nas planícies férteis de Salomia, onde os arredores da amigável cidade e o porto de Heracleia Pôntica garantiu-lhe suprimentos abundantes.

Amastris
Em meio a sua campanha na Ásia, Lisímaco também se casou com Amastris, regente de Heracleia Pôntica na Bitínia. Ela era filha de Oxiartes, irmão do rei Dario III Codomano, o último a governar o Império Persa. Amastris casou-se com o general macedônico Crátero, mas depois foi repudiada por este com ele casou-se com a filha de Antípatro, Fila. Amastris casou-se com Dionísio, tirano de Heracleia e teve três filhos: Clearco, Oxiartes e Amastris. Quando Dionísio morreu (306 a.C.), Amastris tornou-se regente em nome de seus filhos, mas tiveram que reconhecer a supremacia de Antígono. Com a chegada de Lisímaco, Amastris se une ao rei da Trácia num clássico casamento político que resultou num filho chamado Alexandre. Segundo o historiador Mnemon em sua História de Heraclea, Lisímaco realmente apaixonara-se por Amastris. Porém, o clima para romance acabara-se. Demétrio chegara da Grécia e avançava pela Ásia assim como Antígono. Lisímaco ficou preso entre dois exércitos. Cassandro enviou reforços, mas marinha de Demétrio os interceptou. No entanto, Lisímaco foi capaz de adiar uma batalha em larga escala, na esperança de que receber mais reforços.  
Didracma com a efígie de Amastris


A Batalha dos Reis
No inverno de 301, os Antigônidas estavam próximos de encurralar Lisímaco, quando Ptolomeu invadiu a Síria e deteve o avanço de Antígono. Mas, por fim, Ptolomeu recuou quando recebeu a falsa notícia de que Antígono tinha sido vitorioso contra Lisímaco. Antígono e Demétrio se preparam agora para o golpe decisivo contra Lisímaco e a invasão vinda da Europa. Eles isolaram o seu adversário perto da cidade de Ipso na Frígia. Naquele momento, porém, Seleuco chegou com seu efetivo. Antígono tentara impedir sua chegada enviando um exército para a Babilônia para fazê-lo recuar, mas Seleuco ignorou simplesmente esse estratagema, certo de que a batalha decisiva seria realizada na Frígia. Então, de repente ele apareceu em Ipso e justamente no campo de Lisímaco. Não é exatamente claro o que aconteceu, mas é certo que Demétrio, que comandou a cavalaria de Antígono, enfrentou a Antíoco, filho de Seleuco, fazendo recuar seus oponentes e os perseguindo, deixando assim uma ala da infantaria de seu pai desprotegida e um alvo fácil para os elefantes de guerra que Seleuco trouxera.
Elefantes de guerra
Então, as forças de Seleuco decidiram a batalha. Seleuco ameaçava atacar Antígono de modo que permitia que aqueles do exército do inimigo quisessem debandar para seu lado tivessem essa oportunidade. E muitos o fizeram. O restante pôs-se em fuga. Mas o velho rei Antígono ainda se manteve em sua posição até que foi abatido por uma grande multidão de dardos. Demétrio conseguiu escapar com sua mãe, Estratonice, e uma pequena força para Chipre. Os territórios de Antígono (Síria e Anatólia) foram divididos entre Lisímaco (que recebeu a parte ocidental da Anatólia), Cassandro (que recebeu Cilícia e Lícia, mas cedeu-as para Pleistarco, seu irmão), e Seleuco recebeu a Síria, mas constatou que a parte sul da mesma, Cele-Síria, tinha sido arrebatada por Ptolomeu. A batalha de Ipso pôs fim a cerca de 20 anos de guerras e conspirações em nome de uma pretensa unidade do império de Alexandre. Agora os reis estavam livres para governar seus territórios, mas também livres para guerrear para ampliá-los...
Os reinos dos Diádocos após a Batalha de Ipso

O Reino de Lisímaco
O reino de Lisímaco compreendia além da Trácia, a maior parte da Ásia Menor até o coração da Frígia com fronteira com os domínios de Seleuco. O poder de Lisímaco estava bem estabelecido e sua atenção parece ter sido constantemente direcionada para o fortalecimento e consolidação do seu poder, ao invés de expandir seus domínios. Sua disposição naturalmente avarenta o levou a acumular vastos tesouros, proporcionados pela posse das ricas minas de ouro e prata da Trácia. Isso lhe dava vantagens peculiares, e ele era chamado por escárnio de seus inimigos “o Tesoureiro”. A grande massa de suas riquezas foram depositadas em duas cidadelas-fortaleza: Tirizis, na costa da Trácia, e Pérgamo na Mísia.
O reino de Lisímaco
Lisímaco procurou, a moda dos outros monarcas contemporâneos, fortalecer sua posição na Ásia pela fundação de novas cidades, ou pelo menos com o alargamento e o restabelecimento daqueles já existentes. Assim, ele reconstruiu Antigonia, uma colônia fundada por seu rival Antígono às marges do lago Ascaniano (atual Lago Iznik na Turquia) e deu-lhe o nome de Niceia (atual Iznik), em honra de sua primeira esposa; ele restaurou Esmirna, que há muito tempo manteve-se praticamente inabitada, mas que rapidamente retomou sua prosperidade. Nova Ílium e Alexandria Troas foram de tal modo melhoradas que Lisímaco poderia ser chamado de seu fundador. Na Europa, sabe-se menos de suas melhorias internas, mas ele parece ter efetivamente submetido as tribos trácias dos odrísios e peônios e estabeleceu seu domínio incontestável sobre as terras ao sul do Danúbio.
LysimachusCoinWithHornedAlexander.jpg
Moeda de Lisímaco com a efígie de Alexandre
adornada com chifres, símbolo de poder


Alianças
Lisímaco não era indiferente aos acontecimentos que se passavam ao seu redor. A aliança concluída por Seleuco com Demétrio levou-o por sua vez a se aproximar de laços de Ptolomeu. A aliança entre os dois reis foi selada pela união de Lisímaco com Arsínoe (II), filha do soberano do Egito. Lisímaco teve que divorciar-se de Amastris (Niceia, sua primeira esposa, já era provavelmente falecida). Amastris, que vivia em Sardes, voltou para Heracleia e fundou uma acidade com seu nome, Amastris (a atual Amasra na Turquia). Com Arsínoe Lisímaco foi pai de Ptolomeu (298), Filipe (297) e Lisímaco Júnior (294). As relações de amizade com a Macedônia continuaram após a morte de Cassandro (297 a.C.), já que Lisímaco deu sua filha Eurídice em casamento a Antípatro II, um dos filhos do falecido rei.


Intervenção na Macedônia
Quando da morte de Cassandro seu filho mais velho, Filipe IV, assumiu o trono, mas morreu meses depois. O reino foi dividido entre Antípatro II e Alexandre V tendo o rio Axios como fronteira entre as duas partes do reino e a rainha-mãe Tessalônica como regente visto os dois serem ainda menores. Em 295, temendo que sua mãe favorecesse a Alexandre para a posse integral do reino, Antípatro a matou sua mãe e derrubou Alexandre do poder. Ele pediu ajuda a Pirro I, rei do Épiro, e a Demétrio I Poliorcetes, que governava a Grécia, para recuperar seu trono. Ambos não puderam ajudar de imediato. Lisímaco retardou a ajuda de Pirro com uma carta falsa em nome do rei Ptolomeu do Egito que pedia para não intervir. Mesmo percebendo a farsa, Pirro procurou aliançar-se com Lisímaco e Antípatro, mas advertido por um presságio, manteve seu compromisso com Alexandre V e o ajudou a manter seu reino. 
Ruínas de Pela, capital da Macedônia
Antípatro fugiu e refugiou-se na corte de seu sogro. Lisímaco, alarmado com uma possível abordagem de Demétrio, convenceu Antípatro de que era melhor ele se reconciliar com seu irmão do que permitir que o inimigo do seu pai entrasse na Macedônia. Demétrio e seu pai Antígono combateram outrora ao pai de Antípatro, Cassandro, nas Guerras dos Diádocos. Assim em 294 a.C., quando Alexandre já tinha sob controle sua parte da Macedônia, Demétrio chegou. Isso alarmou o rei, que o recebeu num clima de desconfiança mútua informando-o que não era mais necessária sua ajuda. Alexandre escoltou Demétrio até a cidade de Larissa na Tessália onde Demétrio matou o rei Alexandre V. Porém, os macedônios não aderiram a Antípatro II, antes proclamaram Demétrio I Poliorcetes seu novo rei. Os macedônios tinham ódio por Antípatro II, porque assassinara sua mãe. Antípatro, sem apoio, fugiu para seu sogro e reivindicava uma intervenção dele. Lisímaco, que lutava contra os getas em sua fronteira norte, não podia intervir muito menos entrar numa guerra contra Demétrio que além de controlar a Grécia era agora rei da Macedônia com apoio popular e era aliado de Seleuco cujo reino fazia fronteira com o reino de Lisímaco na Ásia. Assim Lisímaco selou um acordo de paz com Demétrio se abstendo de intervir na Macedônia para fazer valer os direitos de seu genro. 
Túmulo do Argéadas
 Evidentemente que Antípatro não gostou dessa traição de seu sogro e junto com sua mulher, Eurídice, reivindicava constantemente que seu sogro vindicasse seus direitos. Por fim Lisímaco (por não mais suportar a impertinência deles ou para agradar a Demétrio) trancou na prisão a seu genro e sua filha e matou-os posteriormente em cerca de 292 a.C. A morte de Alexandre V e Antípatro II foi vista pelos antigos com castigo pelos crimes de Cassandro contra a antiga família real da Macedônia, os Argéadas. Cassandro matara a mãe (Olímpia), a mulher (Roxane) e o filho (Alexandre IV) de Alexandre Magno, o herói nacional e maior rei da Macedônia. Antípatro II matara a própria mãe (Tessalônica) que era irmã do grande Conquistador. Os Antipátridas que reinaram apenas 11 anos haviam acabado com a dinastia dos Argéadas que governara a Macedônia por cerca de 500 anos. Com Demétrio uma nova dinastia se iniciava (os Antigônidas), mas haveria espaço na Macedônia para os reis não dinásticos.

Luta contra os Getas
Lisímaco foi compelido a concluir esta paz desvantajosa, porque no momento estava embaraçado com as hostilidades em que ele estava envolvido em sua fronteira norte com os getas. Sabe-se pouco sobre as circunstâncias que levaram a esta guerra (292), mas parece ter sido uma agressão sem causa por parte de Lisímaco. Agátocles seu filho com Macris, mulher da tribo dos odrísios, liderava pela primeira vez um destacamento em território inimigo quando foi derrotado e feito prisioneiro. Lisímaco, quase foi pego também, mas sua experiência militar o ajudou a escapar. Mas, Agátocles foi gentilmente tratado por Dromiquetis, o rei dos getas, e enviado de volta a seu pai com presentes. Apesar disso, Lisímaco logo montou um exército mais poderoso, com o qual ele cruzou o Danúbio e penetrou no coração do país dos getas.  Nessa expedição Lisímaco contou com o apoio de Clearco, filho de sua ex-mulher Amastris, que governava Heracleia Pôntica. Por falta de provisões, Lisímaco, Clearco e seu exército passam grandes aflições e, finalmente, foram obrigados a se render.
Representação de um nobre geta
 Dromiquetis tratou os cativos de forma generosa, entreteu-os em estilo régio, colocou-os em liberdade novamente, com condição de Lisímaco casar-se com sua filha e devolver as terras getas conquistadas ao norte do Danúbio. Sob essas condições Lisímaco e seus homens foram postos em liberdade. Em seu retorno, Lisímaco descobriu que Demétrio I, sabendo da ausência e cativeiro de Lisímaco, invadiu algumas cidades da Trácia, mas que o rei macedônio teve que voltar rapidamente ante uma nova insurreição na Grécia. Lisímaco aparentemente encontrava-se fraco para vingar a agressão no momento. Mas o velho rei guerreiro não ficou inativo. Quando Éfeso, na Jônia, que tinha sido um dos últimos lugares na Ásia que se mantivera fiel a Demétrio, finalmente caiu em suas mãos, ele removeu a cidade a uma situação mais próxima do mar, e a repovoou com os habitantes de Lebedo e Cólofon, além de sua população anterior. Um poeta chamado Fênix compôs uma canção triste sobre a destruição de Cólofon por Lisímaco.

Invasão à Macedônia
Em 291 a.C. estourou um conflito entre o rei Demétrio I Poliorcetes da Macedônia e o rei Pirro I do Épiro. Aproveitando uma enfermidade de Demétrio, Pirro invadiu a Macedônia. Percebendo que se configurava uma nova aliança contra ele no Oriente, Demétrio fez um tratado de paz com Pirro. Seleuco, Ptolomeu e Lisímaco, os velhos inimigos de Demétrio, se reuniram em uma coalizão contra ele e decidiram acabar com seu poder na Europa antes que cruzasse para a Ásia. Embora o reino de Demétrio fosse menor do que os de seus rivais, ele era o mais poderoso monarca de seu tempo. Seu exército era tão grande como o de Filipe II e Alexandre Magno e sua marinha era mais poderosa. Além disso, ele poderia contar com os gregos. Esse poder começou a provocar uma resistência e os seus concorrentes concordaram em atacá-lo. Ptolomeu mandaria sua marinha ao Mar Egeu; Lisímaco invadiria a Macedônia; Seleuco, cujos territórios que não faziam fronteira com Demétrio, deu apoio moral. Pirro foi facilmente persuadido a quebrar sua recente aliança com Demétrio e juntar-se à coalizão.
Moeda do reinado de Lisímaco
Assim, na primavera de 288 Ptolomeu apareceu com uma poderosa frota na costa grega; Lisímaco invadiu as províncias superiores e Pirro as inferiores da Macedônia ao mesmo tempo. Demétrio, que deixara seu filho Antígono II Gônatas como regente da Grécia, foi primeiro contra Lisímaco, mas alarmado com o desânimo de seu exército e temendo que este passasse para o lado de Lisímaco, que tinha prestígio ante  o exército macedônio, desfez rapidamente os seus passos e se dirigiu para o exército de Pirro, que tinha avançado para Berea e estabelecido seu quartel-general lá. Pirro conseguira a simpatia dos macedônios. Assim, quando Demétrio estava se aproximando, suas tropas desertaram em massa e juraram fidelidade a Pirro. Demétrio foi forçado a fugir disfarçado, deixando o reino ao seu rival. Porém, Pirro foi incapaz de manter o controle de toda a Macedônia: Lisímaco reclamou a sua parte e o reino foi dividido entre eles sendo a fronteira o rio Axios.
A porção da Macedônia pertencente ao Épiro

Lisímaco, Rei da Macedônia
Lisímaco foi obrigado por um tempo a permitir que Pirro se assentasse sobre o trono da Macedônia contentando-se com a aquisição dos territórios do leste que adquirira. Logo depois começou a trabalhar para ser o único soberano do reino: anexou primeiramente a Peônia a seus domínios. Depos, Lisímaco simplesmente subornou os comandantes de Pirro fazendo aberturas diplomáticas com os macedônios. Embora os macedônios admirassem a Pirro, ele era um estrangeiro (não obstante tivesse um parentesco distante com Alexandre Magno).
Filipe II da Macedônia (359-336 aC) moeda Bronze
Moeda com a efígie de Filipe II (359-336 a.C.)
cunhada no reinado de Lisímaco (288-281 a.C.)
Na realidade a Macedônia não era um estado independente, mas uma extensão do Épiro. Lisímaco tinha como vantagem a influência que seu nome e reputação exerciam sobre os macedônios vez que era macedônio, veterano do exército e um dos companheiros de Alexandre, o Grande. Assim, no verão de 285, o rei de Épiro teve que retornar a sua terra natal e Lisímaco tornou-se o novo senhor da porção da Macedônia (sul da Macedônia e a Tessália) governada por Pirro. Lisímaco era o novo rei da Macedônia que era agora parte do império de Lisímaco, que se estendia desde das Termópilas ao Danúbio e do Mar Jônico ao rio Halis, no centro da Ásia Menor. Ao que parece, Pirro ficou inativo três anos tempo no qual Lisímaco teve oportunidade de invadir o Épiro e profanar os túmulos reais.

Renovação de Aliança com o Egito
Lisímaco agora se encontrava na posse de todos os domínios na Europa que faziam parte da monarquia macedônica, bem como da maior parte da Ásia Menor. Demétrio I Poliorcetes por fim acabara sendo prisioneiro de Seleuco. Antígono, filho de Demétrio, e outros líderes helenísticos solicitaram a Seleuco a libertação de Demétrio; Lisímaco, porém, prometeu dinheiro a Seleuco se esse o matasse, o que não foi aceito. Tal era a inimizade que Lisímaco tinha a Demétrio. Mas, Seleuco manteve Demétrio prisioneiro até sua morte natural (283 a.C.). No decorrer do tempo Lisímaco e Seleuco se tornaram rivais e, em vez de se unirem contra um inimigo comum, todas as suas suspeitas e apreensões foram dirigidas um ao outro. Isto, naturalmente, levou Lisímaco a estreitar ainda mais os laços de sua aliança com o Egito. Lisímaco já tinha se casado com Arsínoe, filha de Ptolomeu; Agátocles, seu filho, casou-se com Lisandra, outra filha do mesmo monarca. Lisandra já fora casada com o rei da Macedônia Alexandre V. Em 285, Lisímaco deu sua filha com Niceia, Arsínoe, em casamento a Ptolomeu II Filadelfo, que já subira ao trono egípcio.
Moeda de Lisímaco com a efígie de Apolo


Intervenção em Heracleia Pôntica (284 a.C.)
Lisímaco casara-se com Arsínoe por questões políticas e ainda sentia algum fulgor de sua antiga paixão por Amastris. A rainha-regente foi assassinada por seus dois filhos Clearco e Oxiartes que assumiram o poder. Lisímaco muito se indigou, mas escondeu seus sentimentos com muito cuidado, e pretendia mostrar a mesma amizade para Clearco como antes. Por muitos dispositivos e truques de engano (segundo Mnêmon de Heracleia, Lisímaco era o mais inteligente dos homens em esconder suas intenções), ele chegou a Heracleia como que simplesmente para aprovar a sucessão. Embora perpassasse amor paternal em relação a Clearco, matou os matricidas, Clearco primeiro e depois Oxiartes. Ele colocou a cidade sob sua proteção e levou grande parte da riqueza que os governantes anteriores tinham acumulado. Depois de permitir que os cidadãos estabelecessem uma democracia (Heracleia era governada por tiranos), que era o que a cidade queria, ele partiu de volta para a Macedônia. 
Moeda de Lisímaco com a efígie de Alexandre Magno e da deusa Atena
 Quando lá chegou, ele muito elogiou a falecida Amastris e como ela havia renovado seu reino em tamanho, importância e força. Ela havia engrandecido Heracleia Pôntica, Tius e Amastris, a cidade que tinha fundado em seu nome. Ao dizer tudo isso, ele despertou em Arsínoe um desejo de ser dona dos lugares que ele estava elogiando, e ela lhe pediu para conceder seu desejo. Ele se recusou, dizendo que era muito coisa para ser dada, mas depois, como ela continuou a suplicar-lhe, ele a atendeu, pois Arsínoe não era facilmente demovida de seu intento e a velhice fez Lisímaco mais maleável. Quando ela ganhou posse de Heracleia mandou para lá Heracleides de Cime, que governou a cidade despoticamente, trazendo acusações contra muitos dos cidadãos e castigos, de modo que eles foram privados de novo da liberdade que tinham acabado de adquirir.

Conspiração em Família
Agátocles, primogênito de Lisímaco, estava destinado a ser o sucessor de seu pai e era popular entre seus súditos. Arsínoe, entretanto, queria garantir a sucessão no trono para seus filhos (Ptolomeu, Filipe e Lisímaco Júnior). Assim, Arsínoe envenenou a mente do rei envelhecido contra seu filho, acusando-o de tramar contra Lisímaco. A ela juntou-se seu irmão, Ptolomeu Cerauno, que tinha acabado de chegar como um fugitivo na corte de Lisímaco. Pressionado pelas acusações, Lisímaco tentou envenená-lo secretamente, mas quando descobriu que Agátocles cuspira o veneno, ele jogou-o na prisão e ordenou que ele fosse morto sob a acusação de que estava tramando contra o rei Lisímaco. Agátocles foi morto por Ptolomeu Cerauno segundo Mnêmon de Heracleia. Mas, é duvidoso visto que Ptolomeu se aliou a viúva Lisandra contra Lisímaco. A morte de Agátocles foi um golpe terrível no reinado de Lisímaco. Por assassinar seu filho, Lisímaco ganhou o ódio de seus súditos. Muitas cidades da Ásia eclodiram em franca revolta; Lisandra, viúva de Agátocles, refugia-se na corte de Seleuco junto com seu irmão Cerauno e o instiga contra o sogro. O fiel eunuco de Lisímaco, Filetero, a quem ele tinha confiado a guarda do tesouro em Pérgamo, renunciou à sua lealdade, aderiu à causa de Lisandra e pôs os tesouros de Pérgamo à disposição de Seleuco.
Lisímaco
A Batalha de Corupédio
No inverno de 282 a.C., a despeito de sua idade avançada, Seleuco, aproveitando a vantagem do fato da Ásia Menor estar em rebelião, apressou-se em levantar um exército e invadir os domínios de Lisímaco sob o pretexto de vindicar os direitos dos filhos de Agátocles e Lisandra. Lisímaco também não demorou a responder: cruzou o Helesponto e marchou em direção ao seu oponente. Seleuco e Lisímaco eram os últimos sobreviventes dos guerreiros e companheiros de Alexandre e ambos já eram idosos. O exército de Seleuco (c.77 anos de idade) encontrou o exército de Lisímaco (c. 80 anos de idade) na planície de Corus, chamada e mais conhecida como Corupédio, no oeste da Ásia Menor, em fevereiro de 281.
Planície de Corupédio
Não existe nenhum relato do curso da batalha, mas é muito provável que Seleuco tenha usado seus elefantes bélicos. Lisímaco morreu após ser atingido por uma lança, que foi atirada por um homem chamado Malacon de Heracleia, que estava lutando por Seleuco. Seu corpo foi entregue a seu filho, Alexandre, e enterrado por ele em Lisimáquia. Esta foi a última vez que dois antigos oficiais do exército de Alexandre se enfrentaram. Seleuco marchou em direção a Macedônia possivelmente para incorporar o reino de Lisímaco ao seu já grande império, mas foi morto por Ptolomeu Cerauno que passou a ser o novo rei da Macedônia.
Lysimachus 323-281 BC. Paste Intaglio set in a 22 K. gold custom made setting
Moderno ornamento comemorativo de Lisímaco
REFERÊNCIAS:
http://www.ancientlibrary.com/smith-bio/1975.html
http://www.ancientlibrary.com/smith-bio/1976.html
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http://www.ancientsculpturegallery.com/printsmacedonians.html
http://de.wikipedia.org/wiki/Amastris
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http://www.ancientsculpturegallery.com/mk12.html
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