quinta-feira, 22 de abril de 2010

O REINO DA MACEDÔNIA: RESUMO HISTÓRICO

O Reino de Macedônia (em grego Μακεδονία, Makedonia) foi um estado da Antiguidade no norte da atual Grécia, margeado pelo Reino do Épiro no oeste e pela região da Trácia no leste. Este reino se consolidou durante o século V a.C. e teve uma ascensão muito importante de seu poder político-militar durante o século IV a.C. com o governo de Filipe II, que tornou a Macedônia a principal potência da Grécia. Seu filho, Alexandre III, o Grande, conquistou o Império Persa que abarcava as antigas civilizações do Oriente Próximo, abrindo o Período Helenístico da história greco-oriental. A Macedônia tradicionalmente é dividida em duas regiões: a Alta e a Baixa Macedônia. Era um país de trigo e pastos, de aldeões e cavaleiros e com uma costa marítima reduzida. Os historiadores creem que seus habitantes eram gregos de dialeto dórico como os habitantes da região do Épiro, Rodes e do Peloponeso. Abaixo, mapa do reino da Macedônia e a região sobreposta nos países modernos (Grécia, Albânia, República da Macedônia e Bulgária).

Tempos Primevos
O nome Macedônia é ligado a Makedon (também chamado de Makedno), personagem da mitologia grega, filho de Zeus e Tea. Era irmão de Heleno, que junto com seus três filhos Doro, Juto (com seus filho Íon e Aqueu) e Éolo formaram o conjunto das antigas tribos básicas que formaram a nação helênica (grega). No entanto, estudiosos apontam que o gentílico 'macedônio' está ligado etimologicamente a 'habitante das terras altas'. Não se sabe com exatidão a origem dos povos que ocuparam inicialmente a Macedônia. Os antigos gregos os chamavam de bárbaros. O historiador grego Tucídides (c. 460-400 a.C.) descreve esses povoadores iniciais como povos dispersos e em cada um dos quais tinha-se estabelecido uma monarquia e que se desenvolveu um forte movimento de massas populacionais. Eles lutavam e competiam entre si de modo que o relato da sua construção nacional está cheio de alianças e conflitos entre diversos grupos e reis aspirantes à hegemonia sobre os demais. A maior parte da população era de pastores que cuidavam do gado dos nobres. Estes últimos eram grandes caçadores e também hábeis guerreiros. Ainda de acordo com Tucídides, o sítio primevo dos macedônios seria a zona oeste  mais montanhosa da Alta Macedônia, Elimeia, Oréstide (Orestis) e Lincéstide (Lynkestis), onde se fixaram no século VIII a.C. Abaixo, região da Alta Macedônia.
As terras ao redor de Egas (Aigai), a primeira capital da Macedônia, foram o lar de vários povos. A Macedônia era chamada Emátia (por causa do rei Emátion) e a cidade de Egas foi chamada de Edessa, capital do lendário Rei Midas. Segundo a lenda, Carano, acompanhado por uma multidão de gregos, chegou à região em busca de uma nova pátria e tomou Edessa renomeando-a de Egas, atual Vergina. Posteriormente, ele expulsou Midas e outros reis daquelas terras e formou seu novo reino. De acordo com Heródoto, foi Doro, filho de Heleno, que conduziu seu povo para Histeótide, de onde foram expulsos pelos cadmeianos para a região do Pindo onde se estabeleceram como macedônios. Posteriormente, um ramo que migrou para o sul passou a ser chamado de dório. Abaixo, ruínas de um teatro em Egas (Aigai).Parece que o primeiro estado macedônio surgiu no oitavo ou no início do sétimo século a.C. sob a dinastia dos Argéadas que, segundo a lenda, migrou para a região vinda da cidade grega de Argos, no Peloponeso (daí o nome 'Argéada'). A tribo macedônia regida pelos Argéadas chamava-se a si mesma de argéada (o que se traduz como "descendentes de Argos").O reino estava situado na fértil planície aluvial regada pelos rios Haliácmon e Áxios, chamada Baixa Macedônia, ao norte do monte Olimpo (abaixo). Perto da moderna cidade de Veria, Pérdicas I (ou, mais provavelmente, seu filho, Argeu I) construiu sua capital, Egas (Aigai, a Vergina moderna). Após um breve período sob o domínio persa sob o rei Dario I, o Grande, o Estado macedônico recuperou a sua independência sob o reinado de Alexandre I (495-450 a.C). Em torno do tempo de Alexandre I, os macedônios argéadas começaram a se expandir na Alta Macedônia, terra habitada por tribos macedônicas independentes como os lincestas e os elmiotas e para o ocidente, para além do rio Áxios: em Eordaia, Botieia, Migdônia e Almópia, regiões ocupadas por muitas tribos trácias, dentre outras.

A Macedônia no Mundo Grego
No tempo da Guerra do Peloponeso (431 - 404 a.C.), a Macedônia era uma potência secundária que se revezava ora apoiando Esparta e ora apoiando Atenas. Abaixo, a Macedônia no início da Guerra do Peloponeso (431 a.C.)Antes do século IV a.C., o reino cobria uma região aproximadamente correspondente à província da Macedônia na Grécia atual. Um estado unificado macedônico foi finalmente estabelecido pelo rei Amintas III (c. 393-370 a.C.), embora ainda mantivesse fortes contrastes entre a rica planície costeira e o isolado e feroz interior tribal, aliado ao rei por laços de casamento. Eles controlavam as passagens de invasões bárbaras que vinham da Ilíria para o norte e noroeste.

São os Macedônios Gregos?
A Macedônia tornou-se cada vez mais influenciada pela cultura da cidade de Atenas durante este período, embora proeminentes atenienses considerem os macedônios como bárbaros (não gregos). Antes da criação da Liga de Corinto (338 a.C.), embora os macedônios, aparentemente falassem um dialeto da língua grega e afirmassem com orgulho que eram gregos, não foram considerados plenamente dotados da cultura grega clássica por muitos dos habitantes das cidades-estados do sul, porque não partilhavam o estilo político de governo dos sulistas. O célebre historiador grego Heródoto (484 – 425 a.C.), imagem acima, entretanto, reconhecia a pertinência dos macedônios à comunidade grega. Ao longo do século IV, a Macedônia tornou-se política e culturalmente mais envolvida com a vida das cidades-estado do sul e do centro da Grécia, mas também reteve características mais arcaicas vinculadas à cultura micênica clássica e a costumes mais antigos dos gregos, como a poligamia. Outro remanescente arcaico era a própria persistência de uma monarquia hereditária que exercia o supremo poder, por vezes absoluto, embora esse poder fosse às vezes contestado pela aristocracia rural e muitas vezes perturbado por disputas dentro da família real. Isso contrastava com as culturas gregas mais ao sul, onde as cidades-estado possuíam instituições aristocráticas ou democráticas mesmo que vinculadas a algum tipo de rei. Abaixo, o mundo grego antes da ascensão da Macedônia.


Ascensão da Macedônia
Amintas III (392 – 370 ) teve três filhos; os dois primeiros, Alexandre II e Pérdicas III reinaram por pouco tempo (370-359). O herdeiro de Pérdicas III, Amintas IV, era apenas um bebê e foi deposto por seu tio, Filipe II, o terceiro filho de Amintas III, que se tornou o rei e deu início a um período de domínio macedônico sobre praticamente toda a Grécia. Sob Filipe II (359-336 aC) a Macedônia expandiu-se para o território da peonianos, trácios e ilírios. Entre outras conquistas, anexou as regiões de Pelagônia e Peônia do Sul . Abaixo, a Macedônia e seus vizinhos quando da ascensão de Filipe II (359 a.C.)
Filipe redesenhou o exército da Macedônia adicionando uma série de variações à tradicional força dos hoplitas (soldados de infantaria pesada) para torná-los mais eficazes. Ele acrescentou os hetairoi (‘companheiros’), uma cavalaria pesadamente armada, uma mais leve infantaria, os quais adicionaram uma maior flexibilidade e capacidade de resposta aos ataques inimigos. Filipe II aumentou a capacidade ofensiva de sua infantaria municiando-a de uma lança alongada (a sarissa) e de um escudo menor. Abaixo, a temível falange macedônica.Filipe começou a expandir rapidamente as fronteiras do seu reino. Sua primeira campanha foi no norte do país contra os povos não-gregos, como os ilírios, garantindo a sua fronteira norte e ganhando muito prestígio como guerreiro. Em seguida, ele virou-se para o leste, para o território ao longo da costa norte do Mar Egeu. A cidade mais importante nesta área foi Anfípolis, que controlava o caminho para a Trácia, e também estava perto das valiosas minas de prata. Esta região tinha sido parte do império ateniense e Atenas ainda a considerava como sendo de sua esfera de influência. Os atenienses tentaram conter o crescente poder da Macedônia, mas foram limitados pela eclosão da Guerra Social, isto é, dos Aliados (357 - 355), em que alguns dos aliados de Atenas deixaram a liga político-militar que esta presidia. Filipe voltou seus exércitos para o sul e conquistou a maior parte da Tessália. Abaixo, as expansão do reino da Macedônia sob Filipe II.
O controle da Tessália significava que agora Filipe estava estreitamente associado à política da Grécia central. Em 356 a.C. ocorreu a eclosão da Terceira Guerra Sagrada (356-346) entre a Fócida e a cidade de Tebas. Tebas recrutou os macedônios e na Batalha do Campo Crocus, Filipe derrotou decisivamente a Fócida e seus aliados de Atenas. Como resultado, a Macedônia tornou-se o Estado líder na Liga Anfictiônica (confederação guardiã do templo de Apolo) e Filipe se tornou chefe dos Jogos Píticos (jogos em honra ao deus Apolo), o que colocou firmemente o líder macedônio no centro do mundo político grego. Na continuação do conflito com Atenas, Filipe marchou para a Trácia na tentativa de capturar Bizâncio e o Estreito do Bósforo e assim dar um corte no abastecimento de cereais do Mar Negro que provia Atenas de alimentos. O cerco de Bizâncio falhou, mas Atenas percebeu o grave perigo que a ascensão da Macedônia representava e sob a liderança do político e célebre orador Demóstenes construiu uma coalizão de muitos dos Estados gregos mais importantes para se opor aos macedônios. Tebas, que outrora requisitara os serviços militares da Macedônia, se juntou a coalizão. Os aliados enfrentaram os macedônios na Batalha de Queroneia (338 a.C.) e foram decisivamente derrotados, deixando Felipe e os macedônios como senhores incontestes da Grécia. Dois anos depois, no entanto, Filipe II seria assassinado quando se preparava para fazer uma expedição contra o Império Persa. A Macedônia e sua área de influência quando da morte de Filipe II (336 a.C.).

O Império Macedônico de Alexandre, o Grande
Alexandre III, o Grande (356-323 aC), filho de Filipe, conseguiu em pouco tempo estender o poder macedônico não só sobre as cidades-estados gregas, mas também sobre o Império Persa, incluindo o Egito e as terras a leste, até às bordas ociedentais da Índia. Era o maior império que o mundo havia visto depois do Império Persa. Abaixo, o Império de Alexandre, o Grande.Alexandre adotou os estilos de governo dos territórios conquistados, o que foi acompanhado pela expansão da cultura grega e de sua assimilação e aglutinação através de seu vasto império. Embora o império de Alexandre tenha sido desmembrado em vários estados helênicos (gregos) logo após sua morte, suas conquistas deixaram um legado duradouro iniciando o período helenístico onde a cultura grega se fundiu a elementos da cultura oriental perpetuando um tipo característico de civilização como se vê nos reinos helenísticos. Na divisão do império de Alexandre entre os Diádocos (sucessores), a Macedônia ficou sob a dinastia Antipátrida (oriunda de Antípatro, general e regente macedônio). Abaixo, os reinos helenísticos oriundos da divisão do império de Alexandre, o Grande.
A Macedônia no Período Helenístico
Antípatro e seu filho Cassandro ganharam o controle da Macedônia, mas o reino entrou em um longo período de guerra civil após a morte de Cassandro em 297 a.C. A Macedônia foi governada por um tempo por Demétrio I (294-288), da dinastia Antigônida, mas o reino caiu novamente em uma guerra civil. Antígono II (277-239 a.C.), filho de Demétrio, derrotou uma invasão dos gálatas e recuperou a posição de sua família na Macedônia, conseguindo restabelecer a ordem e a prosperidade, embora ele perdesse o controle de muitas das cidades-estado gregas. Ele estabeleceu uma monarquia estável sob a dinastia Antigônida. Antígono III (239-221) aproveitou a situação e restabeleceu o poder macedônio toda a região grega. Abaixo, um túmulo real macedônico encontrado em Vergina (antiga Egas, capital da Macedônia).O que é notável sobre o regime da Macedônia durante o período helenístico é que ele foi o único estado sucessor do Império Alexandrino que manteve uma percepção arcaica da realeza e nunca aprovou os modos da monarquia helenística. Assim, o rei nunca foi divinizado da mesma forma como os Ptolomeus e os Selêucidas o eram no Egito e na Ásia, respectivamente, e nunca adotaram o costume da proskynesis, isto é, o prostrar-se diante do rei. Os antigos macedônios durante o período helenístico ainda estavam dirigindo os seus reis de uma maneira muito mais casual do que os súditos dos demais Diádocos; os reis macedônios ainda consultavam-se com sua aristocracia (philoi, 'amigos') no processo de tomada de decisões. Abaixo, escudo contendo o "Sol de Vergina", o símbolo da monarquia macedônica sob os Argéadas (dinastia de Filipe II e Alexandre, o Grande).

Enfrentando Roma
Sob Filipe V (221-179) e seu filho Perseu (179-168 aC), o reino da Macedônia entrou em choque com o crescente poder da República Romana. Durante o segundo e primeiro séculos a.C., a Macedônia travou uma série de guerras com Roma. Duas grandes perdas levaram à sua derrota inevitável: em 197 a.C., quando Roma derrotou Filipe V, e 168 a.C., quando Roma derrotou Perseu. Em conseqüência, houve a deposição da dinastia Antigônida e o desmantelamento do reino da Macedônia. Abaixo, o reino da Macedônia no ano 200 a.C. sob Filipe V. O rápido sucesso de Andrisco (Filipe VI) em restabelecer a monarquia em 149 a.C foi rapidamente seguido por sua derrota no ano seguinte e o estabelecimento do governo romano direto e a organização da Macedônia como uma província romana. Chegava então ao fim o glorioso reino da Macedônia. Abaixo, mapa da província romana da Macedônia no ano 400 d.C.
REFERÊNCIAS:
http://en.wikipedia.org/wiki/Macedonia_(ancient_kingdom)
http://es.wikipedia.org/wiki/Reino_de_Macedonia
www.livius.org/a/greece/aegae/aegae.jpg
www.mlahanas.de

9 comentários:

  1. ese testo me ajudou muito no trabalho de historia levei 10

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  2. Utilizei para estudo bíblico sobre o período interbíblico. Muito bom

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  3. Excepcional Joalsemar, você me indica algum blog nesse mesmo estilo sobre os seleucidas e o reino de pontus?

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    1. Caro Fernando, sobre o reino do Ponto vc pode encontrar meus textos no link:http://osreisdoponto.blogspot.com.br/2009/01/o-reino-do-ponto-resumo-histrico.html
      Sobre os Selêucidas não achei página semelhante, mas o site de história antiga livius.org tem textos em inglês muito bons (http://www.livius.org/se-sg/seleucids/seleucids.html)bem como na http://www.hellenicaworld.com/

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    2. Muito obrigado, continue o excelente trabalho, leitura descontraída e proveitosa.

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    3. Obrigado Fernando. Comecei a escrever sobre os Selêucidas: http://osseleucidas.blogspot.com.br/.

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