
Estátua de bronze de Alexandre Magno e seu
famoso cavalo Bucéfalo (século III a.C.)
famoso cavalo Bucéfalo (século III a.C.)
Perseguição na Média
Não tendo obtido o total apoio dos aristocratas persas, Alexandre e seu exército foram obrigados a marchar para Ecbátana, a capital da Média, ao norte do Império Aquemênida, onde Dario III estava. Este foi o pesadelo do alto comando macedônio: a procura de um inimigo que certamente se deslocaria para a parte oriental do Império Aquemênida. A menos que Dario se mantivesse firme em Ecbátana, o exército macedônio seria forçado a segui-lo para países desconhecidos, enfrentando perigos desconhecidos. Ainda que Dario fosse capturado ou morto, Alexandre e seus homens corriam o perigo de uma desastrosa campanha no Oriente. Mas, o Macedônio não se intimidou com tais desafios. Após organizar o antigo país dos persas na satrápia de Persis, em maio, Alexandre e seu exército marcharam para o noroeste e em junho chegaram em Ecbátana. Abaixo, ilustração da temível falange macedônica em marcha.
Porém, Dario não estava mais lá. Há apenas dois dias ele tinha ido para o leste. É interessante notar que Dario tinha ficado em Ecbátana durante o inverno, o que indica que ele ainda tinha esperanças de se reerguer; poderia reconquistar Assíria e Babilônia e cortar o abastecimento das linhas macedônicas enquanto Alexandre permanecia em Persépolis. De fato, durante a sua marcha para Ecbátana, em Gabae (atual Isfahan no Irã) os macedônios receberam a notícia de que Dario certamente receberia tropas e estava preparado para enfrentar mais uma batalha, mas parece que os novos soldados chegaram tarde demais. De agora em diante, Dario III, o rei dos reis, já não estava lutando apenas para recuperar seu império, mas também por sua própria sobrevivência. Além disso, o apoiadores de Dario estavam oscilando. Houve divisões no seio da família real: um príncipe chamado Bistanes, o filho de Artaxerxes III Oco, portanto tio de Dario, entregou Ecbátana aos macedônios sem resistência. Alexandre continuou a sua política de atrair os nobres persas para longe de seu oponente: o persa Atropates foi recebido como um importante membro da corte e mais tarde nomeado sátrapa da Média. O Rei Dario levou consigo o tesouro da Ecbátana e viajava lentamente. Ele chegou a Rages (Rhagae, perto da atual Teerã), o mais importante centro religioso do zoroastrismo, a religião oficial dos persas. Possivelmente, Dario pode ter querido sacrificar ao fogo sagrado, mas foi incapaz de parar: se a Pérsia e sua religião tivessem que ter um futuro, ele teria que chegar nas satrápias orientais o mais rápido possível e recrutar um exército. Seu rumo parecia ser a satrápia da Báctria.Abaixo, localidades da perseguição de Alexandre a Dario na Pérsia e na Média.


Descontentamento
Traição
Dario, que estava acampado a leste dos desfiladeiros do mar Cáspio, declarou a seus homens que estava disposto a enfrentar o Macedônio em mais uma batalha. Uma minoria ainda estava disposta a seguir o Grande Rei, mas a maioria lhe resistiu. Para Besso, sátrapa de Bactriana, Nabárzanes, comandante da Guarda Real, e Barsaentes, o sátrapa de Aracósia e Drangiana, a situação era clara: se eles se mantivessem fiéis ao seu rei, os macedônios invadiriam as satrápias orientais. Por outro lado, se Dario fosse preso e entregue aos invasores, não haveria guerra, porque era pouco provável que os macedônios estivessem interessados em países desconhecidos, onde eles seriam forçados a lutar batalhas imprevisíveis. Nabárzanes sugeriu a Dario que passasse a autoridade real temporariamente para Besso, que tinha grande prestígio nas províncias orientais. Parece que o plano já estava traçado desde a derrota em Gaugamela. Dario respondeu puxando seu punhal e Nabárzanes fugiu seguido por Besso e seus homens bactrianos. Aconselhado por seu fiel ministro Artabazo, Dario perdoou os sediciosos (até porque eles tinham a maioria dos homens) que hipocritamente se reconciliaram com o Rei. Dario e seu grupo rumaram para a aldeia de Tara perto de Hecatômpilo, capital da Pártia. Abaixo, representação de Dario III Codomano no mosaico de Pompéia.

O Último Aquemênida
Em sua marcha Alexandre e seus homens encontram a Artabelos e Bagistane que lhes informam do ocorrido. Evidentemente, se Besso não matara Dario, é que ele o queria como uma moeda de troca. Nessa situação, Alexandre tem que escolher que caminho tomar:
a) Se aceitasse que Besso lhe entregasse Dario, Alexandre teria que deixar de lado as satrápias orientais que sempre consistiriam em um perigo para os domínios de Alexandre, principalmente se ele executasse Dario. Se poupasse a vida de Dario, Alexandre poderia ter certa lealdade dos persas, mas sempre com o perigo de insurreição em nome do Grande Rei;
b)Se não aceitasse, Besso poderia matar Dario e, já que reivindicara o trono real como Artaxerxes V, iria sustentar uma guerra contra Alexandre a partir das satrápias orientais. No entanto, a execução de Dario por Besso daria a Alexandre a oportunidade de aparecer ante os persas como o vingador de seu rei morto. Se derrotasse Besso e seus sequazes, Alexandre contaria com maior favor dos persas e seu domínio teria maior consolidação.
Não se pode afirmar com certeza o que se passou na cabeça de Alexandre, mas o Macedônio resolve apressar ainda mais a sua marcha. Abaixo, moeda com a efígie de Dario III.


Alexandre lamentou o regicídio e estendeu seu manto real sobre o Grande Rei e enviou seu corpo para sua mãe, Sisigâmbis, em Persépolis onde Dario recebeu um funeral com todas as honrarias. Cogita-se que foi sepultado no túmulo de Artaxerxes III Oco (358 – 343 a.C.) em Naqš-i Rustam onde estavam sepultados os reis aquemênidas. Se Dario III Codomano não teve a sorte e a grandeza de seus antepassados, não se pode esquecer que ele fez tudo o que pode para salvar o reino de seus ancestrais. Não foi detido pelo exército inimigo, mas por seus próprios cortesãos por meio da traição e assassinato. Por mais que morte de Dario III lhe fosse propícia, pelo conjunto das fontes antigas sobre Alexandre Magno se depreende que ainda que se ele mesmo pudesse ter matado Dario III ele jamais aprovaria a traição de Besso.
A Nova Caçada
A vanguarda do exército macedônio estava agora em Hecatômpilos na Pártia. O desejo de Alexandre de caçar Besso nas terras orientais desanimava seus homens. Alexandre já atingira o objetivo da expedição: libertar os gregos da Ásia Menor e punir os persas por sua invasão à Grécia no século V a.C. Esse objetivo já fora alcançado e Alexandre dominava o berço das mais antigas civilizações do Oriente Médio e seus recursos. Os planos de continuar a guerra devem ter vindo como uma surpresa grande. Apenas algumas semanas atrás, Alexandre tinha enviado uma parte de seu exército de volta para a Grécia. Os macedônios haviam deixado o mundo mediterrâneo que eles conheciam bem e marcharam através das regiões das quais, pelo menos, eles tinham algum conhecimento. Abaixo, bustos de Alexandre Magno.



REFERÊNCIAS:
http://osaquemenidas.blogspot.com/2010/03/dario-iii-336-330-ac-parte-ii.html
http://www.livius.org/aj-al/Alexandre/Alexandre09.html
Castro, Paulo de. Biblioteca de História: Grandes Personagens de Todos os Tewmpos, vol. 4: Alexandre, o Grande. Editora Três: São Paulo, 1973.
Wepman, Dennis. Os Grandes Líderes: Alexandre, o Grande. Editora Abril: São Paulo, 1988.
http://www.gaugamela.com/
http://marsfigures.com/cataloge/737731101_37.jpg
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